Todos me perguntaram... Kika, você esta nervosa para sua viagem.
Minha resposta... Não.
E realmente não estava, consegui dormir, consegui me manter tranquila, sempre com a sensação de que eu estava voltando pra onde eu precisava voltar.
Desembarquei, sim ali estava, França, depois de 11 horas e meia de posições desconfortáveis, balançar nervoso e frenético do avião, e um sono meia boca tirado. Finalmente o vento gelado cortou meu rosto.
O que esperar? Se é que eu esperava alguma coisa, que não fosse estudar, conseguir me comunicar e conhecer algo diferente.
Fui desiludida embora do meu país, sem animo de qualquer coisa, mas com a vontade desse ano novo manter a promessa de mudança.
Dentro do carro que nos apanhou no aeroporto, tive a primeira visão do que me esperava, as árvores secas, os prédios baixos e antigos, o transito que me fazia lembrar São Paulo, e as pessoas agasalhadas.
Eu apenas sorri, e senti, ali é o meu lugar.
Há sim diferença social, pessoas morando na rua, pegando restos de comida nos lixos, existe sim a sujeira, que menor que aqui, mas existe, aparente, existe também os sérios, resmungões, aqueles tradicionalistas, que caminham olhando para frente, apenas para frente, sem trocar um olhar mesmo que seja de licença.
Eu era apenas um ponto no meio de tanto turista como eu, caminhando felizes com suas câmeras e espantos, registrando tudo, feliz com tudo, querendo estar ali mais que qualquer coisa no mundo.
Lembrei que a 2 anos eu falava que eu iria para lá, e todos diziam que estava longe, faltava muito. E me deparei olhando para o Sienne.
Aquele rio me encantou, não sentia o cheiro podre de sujeira, via as gaivotas sobrevoarem ele, arcos e barcos, e era a perder de vista. Grande imponente, que encostava nos melhores pontos turísticos, por ele você não se perdia, era só segui-lo, ele te dava a direção. te entregava em qualquer lugar.
Todos os cantos, em todos os lugares haviam casais apaixonados. E como não se apaixonar com as luzes nas ruas de arquitetura antiga, com esse rio maravilhoso para se dar um passeio de barco, essas pontes lindas para se trocar um beijo, esses restaurantes deliciosos para se abraçar e comer juntinho.
Como não se encantar com a Torre, que de tão bela resistiu a tentativa de desmontagem.
E a arte, a sim a arte, sentindo em cada pincelada de Van Gogh, Monet, Dali, Manet, e as esculturas de Rodin. A França respira arte. E me fez respirar de novo.
Me fez ter o coração cheio, a vontade de caminhar, mesmo que na neve, que me deu a felicidade de aparecer quando ainda estava por lá. Me deu vontade de comer, comer sem limites, sem frescura, apenas experimentar e esquecer dos meus gostos, das minhas origens.
Essa arte toda me faz falta aqui, poder levar apenas um caderno e um lápis e sentar na frente de qualquer obra que um dia vi apenas em livros. e entender o que ele sentia naquele momento.
Me arrepiei em cada exposição que entrei, custei acreditar que na minha frente estava o quadro da "noite estrelada" de Van Gogh, ou até mesmo a Monalisa que pequena faz o Louvre parar em sua frente.
Falando em parar, os castelos fizeram meus pensamentos pararem, perfeição e exagero são as palavras que define , não posso esquecer de desbunde, são apenas as três palavras, que fazem qualquer um perder as frases ao entrar em qualquer Chateau da França. Os medievais aos clássicos. São coisas que não se passa perto do que temos aqui de referencia de castelo.
As minhas caminhadas em grande maioria só. Apenas eu, as musica de fundo que rolava nos meus fones, e a pilha de informações ao passar em um museu.
Mas era bom caminhar por lá. Não tinha medo, não tinha problemas, não havia violência generalizada como aqui insiste em piorar.
Não sei onde o Brasil fica com um dos melhores metros do mundo, pra mim não importa se é novo e moderno, para mim importa quantas quadras terei que caminhar para chegar ao meu destino, e lá, eu apenas caminhava meio metro até alguma entrada para algum metro, todas as linhas me entrelaçadas, confusas aos olhos de quem acaba de chegar, mas em poucos dias você as ama, e elas tornam parte da extensão das suas pernas.
O foco se dividiu em dois, não era apenas estudo, o inesperado do amor, o que era impossível fugir por ali.
As minhas folhas em branco procuram novas histórias, sempre novas histórias, elas jamais voltam em branco. Sempre com o final não definido, sempre com aquele três pontos para resumir que continua.
Escrevi até o ultimo dia em um caderno destinado a isso, as vezes passavam-se dias da preguiça, e as palavras só saiam depois, mas estão lá os meus registros.
Mas nos dois últimos dias, não consegui, acho que foi difícil para mim quando ficou próximo da volta. Voltar para onde se é aqui que sinto ser meu lugar.
Nesse momento, só pensava em estar ali, meus últimos segundos, sem perder tempo para escrever. Eu queria sentir.
Voltei com lágrimas nos olhos e o coração faltando um pedaço. Sim, sei que sou assim, quantas vezes ja escrevi que meu coração faltava um pedaço. Talvez assim entendam o quanto ele esta pequeno agora, e que eu não posso mais perder pedaços por ai.
Esse ano prometi, daquelas promessas de ano novo, que seria o ano da mudança. Pelo menos é o que me disseram, e o começo dele me fez realmente acreditar que seria. E a mudança prioritária é não deixar que mais um pedaço do meu coração fique por ai, sem abrigo.
Para trás deixei mais um pedaço, mas acredito que seja como João e Maria, deixei para não esquecer o caminho de volta.
Foi natural as lágrimas descerem tão fáceis quando me despedi, ali eu havia deixado o pedacinho, ali eu tinha deixado a sensação de deixar a minha casa e voltar para onde eu me sentia estranha.
Eu só penso agora, quando voltarei para casa.
Tudo que guardo aqui dentro. ****************************************************************************************** (reformulação do blog sessaocorujabykika.blogspot.com, o passado ficou para lá. Ainda ativo. Aqui pretendo deixar outras coisas nessa caixa.)
Tudo que tem aqui dentro.
- Èrika (Kika)
- Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário