Tudo que guardo aqui dentro. ****************************************************************************************** (reformulação do blog sessaocorujabykika.blogspot.com, o passado ficou para lá. Ainda ativo. Aqui pretendo deixar outras coisas nessa caixa.)
Tudo que tem aqui dentro.
- Èrika (Kika)
- Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!
quinta-feira, 26 de março de 2015
00:58
Depois de tanto tempo senti aquela pontada no peito, algumas lágrimas escorregaram no rosto, e o que vem na minha mente... a partida.
Perdi as contas de quantas vezes deixei os caminhos se afastarem, quantas vezes escutei planos que não me incluíam, para caminhos tão afastados de mim.
Deus, ou sei lá quem cuida disso, sabe quantas vezes eu vi isso acontecer, quantas vezes tive que largar tudo que eu comecei a sentir. E me pergunto então, por que essas pessoas se aproximam? Nunca vou saber.
Tendo esse poder creio que será possível planejar algo. Por isso perco a esperança de planejar. Tudo que planejo me abandona. Do perfeito vira para a dúvida e a corda bamba. Então por que tantos planos, pra que tantos momentos bons se não haverá continuidade.
Ah destino, por que sempre me prega essas? Bem que minha amiga disse que o tempo se encarregaria... não é?
Agora me encontro novamente com o quarto em silêncio, meu peito doendo por talvez me precipitar na forma poética que eu acreditava ser a melhor forma de levar a vida, e mais uma vez esquecendo que essa minha sina de perder ainda me acompanha.
Talvez eu fique gravada na lembrança, mas nunca o suficiente.
É muito difícil gostar, e é mais difícil deixar ir embora, eu sei disso, já passei por tantas vezes. Me privei da felicidade só pra ver outra pessoa concluir a dela. E vendo tudo da janela, como uma fã sem acesso ao artista. Fico aqui, recolhendo as pedras que restaram de um caminho que muitas vezes não me pertence mais. "
domingo, 1 de março de 2015
Roteiro
" Reflexões sobre a minha vida andam constantes nesses meses, e parece que tomo goles de motivações diárias para uma nova trajetória... que somem toda vez que me deparo com a realidade.
Sim tenho um emprego que eu sobrevivo, sim, não vivo, apenas me mantenho na pequena vida medíocre que me tem a disposição ao receber meu pagamento mensal. Não posso me dar ao luxo de simplesmente mudar o rumo. Os bancos e contas são os tapas mais doloridos dessa triste realidade.
Ainda dirijo um carro, que por mais que seja meu, cada dia precisa de alguma manutenção relativamente importante, e que eu com tudo isso, não consigo pagar. Mas também não me impede de sorrir em um dia de sol, escutando meu som, sentindo o vento entrar pela janela. - Até que ponto isso é medíocre.
E é louco tentar explicar a forma que todos os detalhes se encaixam nessa minha cabeça. É como se tudo tivesse trilha sonora, como se todos fossem divididos em platéia e participantes dessa peça real do meu dia-dia. Loucura não é? - Não sei, pode ser, mas como é que a as coisas passam pela cabeça de outras pessoas? Visualizo a melhor luz no banho, os detalhes de água escorrendo pelo corpo, fico horas na frente da janela olhando o céu e imaginando o que seria de mim em outros caminhos naquele mesmo instante. Falo sozinha, mesmo que em silêncio aos que estão em volta. Sofro, me expresso as vezes de forma teatral. - Pois o que eu mais escuto é que a vida é um enorme filme. - porque a minha não pode ser.
Claro, não mudei o mundo, não tive teorias que salvasse a humanidade, minhas telas nem se quer são vendidas, nem ganho dinheiro com elas, eu geralmente dou - é a forma que tenho para ser um pouco inesquecível para alguém. Também não fui ninguém além dessa que digita meia duzia de baboseira que poucos dão o trabalho de ler, não sou uma pessoa de sucesso - talvez ainda não, e quem sabe nunca. - Não sou uma filha presente, neta, sobrinha, e ainda tenho preso em mim alguns bloqueios mesquinhos e sem sentido. - Resumindo... não sou nada para ser alguma coisa.
Não... não digo que não tenho importância. Ah vocês me entenderam, não venham me dizer aquelas coisas de -" você é importante para sua família e amigos." ou -" você tem um talento mas tem que ter paciência."
Cara eu tenho quase trinta, e ainda uma lista enorme de coisas que sonho em fazer, mas a triste certeza que não é tão fácil, porque nada, nada mesmo é fácil. E se eu não consegui, um dos grandes motivos é que eu acabo fazendo tudo errado.
Histórias tenho muitas, mas quem não tem. Afinal vivemos uma história todos os dias que acordamos, não há de ser diferente comigo ou com meu vizinho. Mas são as formas que isso passa na minha cabeça todos os dias.
Sou covarde. Só há essa explicação, ainda dentro da casca, ainda com medo de me jogar nesse mundo.
Jogo meus dias fora, vivendo o que minha necessidade manda. Desperdiçando todas as tintas que comprei, as telas, as folhas, desperdiçando minha juventude, minha pele ainda sem rugas. Não acreditando que tudo isso pode mudar.
Impaciente, tenho pressa, mas ter pressa quando se tem um ponto a chegar é diferente em ter pressa quando não se sabe onde ir. Seria correr sem saber para onde.
Não meu bem, tenho que entender que eu não vivo em um filme, que o roteiro não esta pronto, que eu não sei se no fim eu terei um final feliz. Mas como traçar tudo isso sem que em três ou alguns dias eu não perca o foco. Que eu não gaste meu pouco dinheiro em coisas sem retorno, ou que eu não precise gasta-lo com algo de extrema necessidade. Sim, é brincar de Tetris, todos os dias. E nunca sobra uma brecha.
Na lista eu poderia ter sido arqueóloga, cineasta, atriz, escritora, arquiteta, designer... por formação fui p parte de moda e artes. Mas na dedicação, posso dizer apenas que trabalho. Não sou nada, porque não sou reconhecida por nada. Apenas quando me apresento e digo o que faço... isso não é ser, isso é dizer que é. Dizendo eu posso ser qualquer coisa dessas que escrevi acima, diferente de fazer... fazer é provar que é.
É chegada a hora de pelo menos tentar ser. Traçar e não falhar. Perdi muito tempo montando o roteiro mas sem atuar. Perdi muito tempo, passou muito tempo.
Com o tempo sempre levo histórias, pessoas, que são responsáveis por eu estar nessa filosofia toda para uma mudança na vida. Agradecerei e serei sempre grata, aqueles que por algum motivo se dedicou algumas horas ou minutos de suas vidas para abrir esse assunto comigo, me questionar qual o plano de tudo isso, qual seria o momento de pegar a bandeira real e levantar. Até agora só sonhei com o que era fantasioso, só acontecia na minha cabeça. Triste realidade que te coloca com o corpo todo no chão. Se fosse só os pés, a cabeça poderia continuar viajando. Eu hoje me sinto pressionada no solo, algo forte me força a grudar no chão. Mesmo ainda eu perdendo tempo em textos avulsos.
Talvez uma forma de colocar as pautas na mesa. Organizar e documentar meus pensamentos.
É possível, sem ser covarde."