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Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Vamos cuidar da saúde da nossa saúde!

" Correndo entro no andar onde deveria fazer meus exames. Me encontro em meio de muita gente doente com um papel amarelo na mão.
- É a senha. - Pensei, analisando todos a minha volta, e não consegui achar a bendita caixa da senha.
- Moça onde fica a senha? - Me dirigi a primeira atendente do balcão do canto esquerdo.
- É atrás da parede, em uma caixa preta. - Disse ela já apertando o botão para a próxima pessoa a ser atendida.
- Atrás da parede, isso é lugar para se colocar uma senha, só pode ser de proposito. - Pensei me dirigindo a caixa preta mal localizada no canto de uma parede que não dava acesso a nenhum lugar.
Apertei o botão e mais um papel amarelo como os outros saíram de forma cuspida da caixinha preta, retirei o papel e no meio do mar de gente, procurei um lugar para sentar e aguardar.
Olhei no painel onde estavam sendo colocados os números de chamada, ainda estava no cinquenta, olhei para meu papel e pensei: - Vai demorar o dia todo. - Meu papel sinalizava o número sessenta e sete.
Abri minha bolsa e retirei um livro, já em casa pensei que poderia demorar, como sempre nesse lugares, então resolvi levar uma leitura para passar o tempo. Virava páginas e páginas, e ao escutar o barulho da chamada da senha, meus olhos se desviavam da folha e verificavam a chamada e as pessoas que pareciam brotar do chão.
Isso porque era o andar dos exames marcados, não o pronto socorro, já dava para confundir. E meu horário que marquei as dez da manhã, já eram dez e quarenta e a senha só havia andado mais cinco números.
As atendentes conversavam, mexiam no cabelo, pareciam que aquele caos diante dos olhos delas não passava de uma vitrine distante, e quando uma moça pediu o bloco de reclamações, escutei a atendente falar para a atendente ao lado: - Pode reclamar eu não ligo, se ela quiser dou até meu telefone e meu rg. - E riu da pobre moça que exercia seus direitos.
Minhas pernas balançavam em um vai e vem, e as pessoas a minha volta só falavam da demora e do pouco caso.
Passou mais uns bons minutos, decidi então levantar e ir em direção novamente a primeira atendente da esquerda.
- Oi, então meu exame estava marcado para as dez, e já são onze. Isso não vai dar algum tipo de problema? - Esbocei um sorriso.
- Eu estou chamando a parte preferencial, mas se estiver com a senha é só aguardar ser chamado o número. Isso não altera o horário do exame.
Voltei a minha cadeira, e pensei. - Porque raios temos que agendar se não se respeita a hora, era mais fácil aparecer quando der e fazer a porcaria do exame. - Já eram onze e vinte.
Finalmente meu número chegou, mas isso não significa que a saga do exame havia terminado. Me direcionei a atendente que se encontrava no canto direito da bancada, entreguei minha carteirinha e a guia do exame a ser feito, ela confirmou e me indicou a mais uma fila de cadeiras para aguardar a chamada de meu nome pela médica, ali fiquei tempo para ler umas vinte páginas do livro até escutar meu nome ser chamado pela porta lateral.
Antes disso reparei as condições do teto em algumas desviadas dos meus olhos quando a médica aparecia com umas folhas de exame nas mãos. vi que o teto estava precisando de uma obra urgente, as cadeiras balançavam, não, não eram cadeiras de balanço, deveriam ser firmas, tinha gente de perna quebrada lá.
E antes de acharem que estou contando um relato de um hospital público, fiquem sossegados, se trata de um hospital particular, se trata de um hospital de plano se saúde. Mas se trata acima de tudo da condição de saúde desse país. "


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