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Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Anjo mal.

Fazia definitivamente muito calor. Era impossível deitar na cama com qualquer tipo de pano, e era igualmente impossível dormir com a janela fechada. Permaneceu aberta, escancarada em busca de uma leve brisa que parecia lutar com o ar quente para aparecer. 
O sono não aparecia, o corpo parecia grudar no ar, e a respiração era quente. Na testa escorria a água do corpo, grudando os fios do cabelo pela nuca e testa.
Depois de muito virar na cama, pegou no sono, o corpo já em estado relaxado, apenas como o calor nos deixa, inerte a qualquer tipo de movimento rápido, e assim o corpo estava na cama. 
Sentiu esfriar, mas não conseguia abrir os olhos. 
Um corpo encostado no dela, era um corpo encostado no dela. 
Podia sentir, a respiração que não pertencia a sua, e um cheiro de amêndoas doces, era agradável. 
"Olhos abram, eu quero ver o que é isso." Disse ela.
Não abriam, estavam colados, qualquer força para abri-los seria inútil. Ela logo desistiu. 
Sentiu algo chegando perto de seu rosto, como uma respiração próximo, e aquele calor todo do dia, pareceu desaparecer, não sentia mais seu corpo molhado, não sentia mais o desconforto do ar quente como fogo. 
E um toque ocorreu em seus lábios, eram dedos, sim, passando pelo seus lábios, delicadamente, como se ela fosse quebrar ao toque, sentiu os dedos, percorrerem seus olhos, e foi exatamente quando eles se abriram como se tivessem destrancado. A visão surgiu. 
Eram dois olhos cores de amêndoas, dois lindos olhos, a expressão mais linda que ela tinha visto, paralisou por segundos nesses olhos, e fez com que seus olhos percorressem o rosto desconhecido.
Nunca havia visto, mas não havia a possibilidade de gritar, falar, estava muda. E ele era tão encantador que se recusava achar que fosse alguém querendo machuca-la. 
A pele era lisa, seu nariz desenhado, e a boca acompanhava a perfeição do conjunto. 
"Se for um sonho, não me acorde, por favor, não me acorde." Pensou.
O rosto desconhecido sorriu, Mostrando a fileira de dentes brancos e reluzentes. 
Ela retribuiu o gesto. E viu a boca de aproximar dela. 
Só pode mirar em direção a ela, e a tocar com a retribuição de um beijo. Tão doce quanto as amêndoas que carregava na essência daquela pele. 
Beijaram-se de forma rítmica, suas línguas pareciam se conhecer toda a vida, e o rosto se encaixava como um quebra-cabeça. 
As mãos se tocaram, entrelaçaram-se em dedos se apertando. E os corpos se juntaram.
O frio com o quente, sentia seus músculos pressionando seu corpo, e sentia o movimento. Os olhos dele não desgrudavam dos dela. Era como se admirasse cada sentido que os olhos davam para cada toque que ele movia em seu corpo. Procurava ver a expressão de cada sensação que ela tivesse. 
Se amaram, sentiram cada pedaço do corpo, cada parte tocando, era impossível conter os sorrisos e os olhares profundos, sem perceberem piscar.
Seus olhos fecharam, e sentiu o corpo amolecer, a respiração diminuir, e o calor voltar em seu corpo. Sentiu o suor novamente grudar seus cabelos e molhar sua pele, o ar quente novamente invadia seu quarto.
Os olhos se abriram, estava só.
Só em sua cama. "Seria um sonho, sonhos eróticos em pleno calor." Pensou.
Levantou da cama, sentando em seu colchão molhado com a marca de seu corpo, apenas de seu corpo. Resolveu levantar, ao pisar no chão, viu marcar, pegadas, em direção a janela. Que sumiam assim que chegavam a parede. 
'Alguém entrou pela janela, Meu Deus, alguém entrou aqui e dormiu comigo." Assustada, olhou pela janela, para os lados, e nada.
Estava sozinha, com a melhor sensação da vida. Com a lembrança da melhor noite que já tivera, mas acordou em uma noite horrível de calor, apenas ela, naquela cama. Sem explicação, sem o depois, apenas sozinha.
Procurou dormir se virando mais algumas vezes na cama, olhando para a janela aberta sem sinal de qualquer brisa refrescante que poderia ajudar a se acomodar para um sono melhor. 
E assim adormeceu. Com o corpo envolto ao suor, e sem explicação de quem seria realmente aquela pessoa que lhe despertou a melhor sensação em uma noite insuportável de verão.

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