" Abriu a porta do banheiro e pendurou sua roupa de troca, mudaria sua roupa que passou o dia todo grudado no seu corpo, por um pijama velho e confortável, daqueles que serve para o frio e para o calor.
Voltou ao quarto, havia esquecido seu inseparável celular, que agora serve mais para escutar música embaixo do chuveiro, porque ligações mesmo, eram poucas.
Ah sim, um banho no fim do dia, para tirar aquela sujeira, stress, e preocupações do dia, seria um banho, só ela e água... seria...
Já embaixo do chuveiro, e com a música em um volume médio, ela imaginava soluções de sua vida, ela imaginava um clipe melhor para aquela música que escutava, imaginava tudo...menos o que estava prestes a acontecer.
Quando tirou a cabela debaixo do chuveiro, que jogava sua catarata de água nos últimos vestígios de espuma, ela escuta um barulho... Apertou os olhos igual pessoas fazem para tentar enxergar algo sem óculos, uma reação que parece ter o poder de te fazer mais atenta, alerta, até escutar melhor, as vezes, parece ser isso que acontece.
Não... não foi barulho da música. Acho que é só a telha com o vento. Sei lá. - pensou torcendo os cabelos para tirar o excesso de água.
Era uma barulho, e ele não parou.
Ela abriu a porta do box, e viu a fumaça que estava ali presa naquele quadrado de vidro claro, quase transparente, sair como presos em rebelião. No vão que abriu do vidro, tateou a pia em busca do celular, achou, e abaixou o volume até que só poderia escutar o barulho do chuveiro ainda ligado, e bem quente.
No banheiro não se via muita coisa, sempre tomava o banho bem quente e o vapor se comprimia naquele banheiro, todos os dias.
Eu escutei, não era a música. Cadê? Cadê... (Uma pausa em silêncio) É eu estou maluca. - Disse bem baixinho, e voltou a colocar a música, mas em um volume bem mais baixo que antes, sempre alerta.
Ela escutou mais alto agora. Era barulho de voz. Voz grossa.
Dessa vez, deixou o som e o chuveiro ligado, se enrolou na toalha, mesmo pingando. Não poderia desligar tudo, se houvesse alguém em casa, Imaginariam que ela havia saído do banho.
Nas pontas dos pés, ainda molhada, colocou o ouvido na porta do banheiro.
Não escuto nada.
Abriu a porta muito devagar, saiu e a fechou. Não havia ninguém em casa, mas o que ela escutara eram certamente uma voz, e de homem.
Voltou ao banheiro, ainda sentindo seu coração bater até no pescoço, via-se o balançar rápido da toalha enrolada em seu corpo.
Desenrolou-se da toalha, e entrou no box novamente. Estava tudo branco, o vapor estava denso, e mal se via as paredes. E o silêncio voltou a reinar.
Chega. Muito tempo no banho. Hora de sair.
Enquanto fazia seu ritual de saída do banho, os primeiro lugares que sempre enxuga, o modo que passa a toalha em cada parte do corpo, eram sempre os mesmos.
O som ela já havia desligado, e era apenas ela e seus pensamentos. Quando novamente o sussurro apareceu.
Abaixou a tampa do vaso sanitário, e sentou-se. Novamente apertava os olhos como se facilitasse escutar melhor.
Vinha daquele banheiro.
No banheiro nem se quer havia janelas, por isso o vapor se prendia até a porta se abrir. De onde estava vindo a voz.
Olhou para todo o banheiro, abriu a porta, e olhou para p teto.
Ali estava, nunca havia reparado... Um recorte quadrado no telo, fechado por uma porta de madeira pintada da mesma cor. Sim, aquilo era um sótão, mas como alguém estaria tanto tempo lá em cima? A casa ela havia herdado de seus pais, morou a vida toda lá, e nunca escutara nada.
Colocou seu pijama, mesmo estando ainda molhada com o vapor que grudava na sua pele, foi até a cozinha, pegou a escada, ainda não se conformando de ter alguém preso lá. Afinal era preciso uma escada para conseguir subir. E a dela sempre esteve no mesmo lugar.
Passando pelo balcão da cozinha, olhou para suas facas de carne, resolveu levar uma por precaução. Mesmo sabendo que se tivesse que lutar, provavelmente perderia. Ela se enquadra em um corpo não muito atlético e muito magro para combate. Sairia bem se o que tivesse que fazer, fosse correr.
A voz não parava, era como se fosse uma reza, ou estivesse falando sem parar, mas ainda muito abafado para conseguir escutar.
Abriu a escada, fez o sinal da cruz. Subiu cada degrau com as pernas tremendo. Sentia a escada balançar a cada pisada que ela dava em um degrau.
Apoiou as mãos na tampa do sótão, prendeu a respiração...
1...2...3...Devagar. - podia até ouvir seus pensamentos.
Empurrou a tampa para cima, abrindo apenas uma fresta, e olhou em volta, parecia vazio.
Nem muitas caixas tinham por lá, e as que tinham era impossível esconder uma pessoa. Então arrastou a tampa para o lado e arriscou colocar sua cabeça para dentro do teto, olhando rápido em todas as direções.
Não era muito grande, ela havia esquecido a única vez que tinha subido lá, era pequena, depois nunca mais houve interesse de saber o que lá havia escondido.
Constatou que lá não tinha ninguém, e já que havia subido, resolveu olhar o que havia guardado lá em cima.
Eram pequenas caixas, com coisas antigas de sua família, mas nada que a fizesse sentar e olhar.
- Psiu... Ei, esta ai em cima? Estou aqui. - A voz, agora um pouco mais nítida, apareceu em um dos cantos do sótão, mas apenas a voz.
Ela não via nada lá em cima, olhou tudo, não tinha ninguém.
Foi caminhando para a direção de onde ela achava ter escutado a voz sair. Com a faca em uma das mãos, era impossível não senti-la tremer.
- Isso você esta perto... muito perto, agora abaixe, nesse buraquinho. - Disse a voz mais uma vez.
Ajoelhou-se, a faca tremia na sua mão, e observou um pequeno furo no chão.
- Olhe por ai... estou aqui embaixo. - Mais uma vez a voz disse.
Ela pensou, não enfiaria o olho lá sem saber o que a esperava lá embaixo, pensou também que lá embaixo seria a sua casa, e por último pensou em estar louca.
- Não tenho a noite inteira e nem tempo pra ficar aqui esperando.
Ainda assustada, ela posicionou a cabeça acima do buraco, fechou um dos olhos, e observou de longe... Uma sala branca, não era seu banheiro, e havia um homem, de costas para ela, cabelos pretos como petróleo, brilhantes, estava com a cabeça baixa. A sala era de uma luminosidade intensa, não havia móveis pelo menos no seu campo de visão. Não se atreveria colocar seu olho naquele buraco com o risco de ficar cega por uma ponta de faca ou até mesmo com uma bala nos miolos.
- Quem é você? Não é meu vizinho, não mora embaixo do meu sótão, nunca te vi na vida, apesar de estar de costas, sei que não te conheço. - Disse ela em direção ao buraco.
- De fato não me conhece, mas estou louco para lhe conhecer. Mas para isso, precisa querer passar por esse buraco, tenho muitas coisas para te mostrar aqui deste lado. - Disse o homem, com uma voz cordial, sem esboçar algum tipo de sentimento, e isso era o mais assustador.
- Porque acha que irei descer ai, sem te conhecer, sem saber o que quer, e se você não percebeu, neste buraco o que consegue passar no máximo meu dedo médio. - A voz dela já não estava mais cortada de susto. Falava firme.
- Sabe que o buraco não é problema, basta você me dizer que esta interessada em que tenho a lhe mostrar. - E ele se virou, olhando diretamente para o buraco, seus olhos eram de um castanho brilhante, fundos, olhar de quem convence apenas com ele, sorriu com o canto dos lábios, que eram perfeitos. Típico problema irresistível, a pele levemente bronzeada, e o terno impecável preto, sim ele estava todo de preto, em destaque da sala que ele estava, um ponto negro brilhante em uma sala branca como olhar para o Sol.
- Realmente não te conheço. Então, adeus, e por favor pare de cantar ou falar por este buraco, porque o som todo vai para o meu banheiro.
- Você não me conhece, mas sei que não se arrependeria de me conhecer. Pois o que tenho para lhe mostrar é inesquecível. - Mais uma vez seus olhos brilharam como um lobo caçando.
Algo havia naquele olhar que estava quase convencendo ela a ver o que tanto ele queria mostrar.
- Caso eu diga que sim, como iria até ai?
- Dou meu jeito, garanto que você não vai sentir e nem se machucar.
- Só irei se puder levar meu celular e avisar alguém onde estou. De outra forma não topo.
- Aqui não é preciso celular, na verdade, digamos não ter um bom sinal. E avisar alguém, deixe me pensar...hum... tudo bem, avise. - E mais uma vez o olhar foi direto nos olhos dela, fazendo-a tremer.
- Ok. Volto em um minuto.
- Apenas um minuto, depois disso, você perde sua chance. Contarei agora.
Ela desceu as escadas, e pegou o celular. Discou para sua amiga mais próxima.
- Ta, me escuta, não esta acontecendo nada, e eu estou bem, em casa, mas encontrei um buraco no meu sótão, e eu to subindo para ver o que é, se caso você não conseguir falar comigo amanhã, por favor chame a polícia.
- O que você esta falando, você bebeu? me liga a noite e fala que vai ver um buraco no sótão as 9 horas da noite?
- Amiga, é só isso, como estou sozinha, caso eu caia essas coisas, sei lá, você já sabe que eu to lá em cima. Ok?
- Tá bom, mas qualquer coisa leva o celular lá pra cima, e me liga se precisar.
- Acredito que lá não tenha um bom sinal. Mas de qualquer forma eu irei levar.
Desligou a chamada coma amiga, respirou fundo, e subiu novamente a escada. Ajoelhou-se em cima do buraco e se deparou ao olhar, que o homem estava a encarando.
- Quase, por alguns segundos eu poderia ter ido embora. Então? Avisou?
- Sim, e como você irá abrir isso, é cimento.
- Isso eu posso acolher como um aval para que eu a traga aqui? São suas palavras?
Ela respirou fundo, fechou os olhos por alguns segundos, e disse. - Sim.
O buraco então começou a abrir, apenas a abrir como se derretesse ao calor. E ela escorregou para dentro da sala branca.
Tudo que guardo aqui dentro. ****************************************************************************************** (reformulação do blog sessaocorujabykika.blogspot.com, o passado ficou para lá. Ainda ativo. Aqui pretendo deixar outras coisas nessa caixa.)
Tudo que tem aqui dentro.
- Èrika (Kika)
- Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!
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