" Não tive vontade de falar. Foi apenas um toque surdo para abafar todas as toneladas que despencaram nos meus ombros, foi apenas um toque para calar tudo o que eu havia escutado.
O dinheiro sempre fala mais alto, e o que conta para muitos é o status que você oferece ao povo, a platéia, e não os valores de dentro de casa, do seu convívio quando ninguém esta lá, ninguém esta lá para ser melhor que o outro.
Sai de casa e os pensamentos altos: "Vale onde eu moro, o que eu faço, o que eu tenho, se sou bem vista aos olhos das pessoas... Não vale os seus princípios de vida, de querer ter além de pose para a sociedade, não se permite mais usar o que realmente faz sua alma evoluir, evolução vem da forma que conseguimos amar sem ter o fato material no jogo, sem ter que comprar para amar."
Ah é besteira, besteira pura se pensar assim nos tempos de hoje, se você quer alguém, precisa mostrar primeiro ao mundo para depois tentar transparecer a si mesmo. É pura besteira sentimental a forma de acreditar que um sentimento de formar valores familiares sejam mais importantes do que tem no bolso ou o que parece ter.
Eu faço isso, e ela faz aquilo, e nossa... somos foda. E em casa... em casa durmo, apenas durmo. E nas festas... eu a beijo, eu a aperto, eu a abraço, só para mostrar primeiro aos outros que eu tenho, depois não me importa mais.
Agora não me importa mais, não importa mais nada, é apenas mais uma petrificada nas esperanças desse mundo medíocre de hoje. E o desejo imenso de ter nascido em outra época, com outras prioridades, com outro coração, menos idiota, talvez, mas não sei, parece impossível ser menos idiota.
Tudo parece idiota, tudo. Minhas atitudes, e as chances que entreguei quando eu finalmente havia decidido seguir outro rumo.
Aqui, agora, é impossível querer uma família, um cachorro para cuidar e assistir tv com "nós" no meio do sofá em um domingo, fazer o almoço de sábado com todos a mesa, ou até mesmo ver um abajur ligado enquanto um lê e o outro apagado enquanto um dorme. É realmente impossível querer dividir a mesma pia, quando um escova os dentes e o outro o cabelo, recolher as roupas espalhadas pela casa e receber os amigos. Ser família fora e dentro de casa, mostrar amor, dentro e fora de casa. Não vivo de Caras, não sou capa de revista, não estou aqui para provar nada a ninguém a não ser para eu mesma, provar que sou capaz de amar independente da conta bancária ou do seu emprego, amar sempre, de formas diferentes e de forma fiel.
Seus amigos estarão ali sempre, ao seu lado, em qualquer condições de relacionamento ou de vida, as bebidas e música alta estarão sempre ali quando precisar usa-las para tirar as vibrações ruins. Tudo estará ali, basta saber dividir. Dividir e amar.
Ai um toque, um toque acabou com tudo, acabou com a voz, e eu sai. É eu dirigi pensando, mas não escutando mais, eu respirei o que sou, é eu escutei meu sexto sentido, que já me mostrava coisas que eu não havia percebido, não havia percebido a ausência e os motivos, daqueles que mentem, daqueles que enganam e o presente resolve acreditar. Estava transito, muito transito, e os carros parados não me incomodavam, eu só queria respirar, e se a rua fosse infinita dirigiria naquele momento sem parar, dirigiria e para bem longe, longe longe. Longe daquele toque, das faltas das minhas palavras finais. Se eu disse trinta palavras foram muitas, talvez devesse dizer tudo isso, mas o que adiantaria... Nada. Talvez... Acho que nada.
Em meus pensamentos: "Uma empresária ou uma bem rica. Era isso que ele pedia. Eu igual a vergonha, as outras... mais interessantes. Mera Zona Leste, sem sobrenome. É.. é foi isso.
E o transito andava pouco. E nada da minha música tocar na rádio, poxa estava precisando disso. Precisava disso e de um abraço... Não... um abraço não... não quero mais abraços."
Tudo que guardo aqui dentro. ****************************************************************************************** (reformulação do blog sessaocorujabykika.blogspot.com, o passado ficou para lá. Ainda ativo. Aqui pretendo deixar outras coisas nessa caixa.)
Tudo que tem aqui dentro.
- Èrika (Kika)
- Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!
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