Tudo que tem aqui dentro.

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Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!

terça-feira, 26 de maio de 2015

O sonho real.


Um sonho estranho, sim, ela sonhou com alguém que muito tempo não encontrava, não falava. Só havia uma lembrança boa de uma noite de frio, com muitas risadas, e um olhar penetrante junto a uma mesa de bar.
Os dias passaram, não muitos, exatos três dias.
Seu celular tocou, com uma mensagem não muito boa, de uma promessa de conversa séria no dia seguinte, de um outro,  daquele que a meses estava na posse do seu coração já tão machucado pela vida. Ela não dormiu. Rolou e rolou na cama, sem entender o que havia mudado em um dia e sentindo o peito doer. Entregue a ansiedade do dia seguinte. E esse dia, como todos os outros, chegou, com a luz invadindo o quarto como um ladrão de casas, sem pedir para entrar. Viu-se obrigada a encarar os fatos de que aquele dia seria diferente, e não seria bom. – O que parece ruim, a vida com o tempo mostra que pode ser a melhor coisa do mundo.
Levantou e se arrumou, estava linda nesse dia. Colocou inúmeras vezes a mesma música para tocar, no rosto havia lágrimas de uma noite não dormida e da ânsia do que estava por vir. Endireitou-se a frente do espelho, já estava pronta. – Talvez se achasse pronta. – Mas ninguém esta preparado para o inesperado.
Ela olhava no espelho, o corpo estava tão mole que a cabeça balançava no bater seco e forte do coração, via aquele dançar desajeitado do corpo, sem controle, a blusa que vestia, de cetim leve também obedecia ao bater do peito. Perdeu as contas de quantas vezes olhou no relógio. – Meio dia era a hora marcada. – Nessa hora a guilhotina iria descer em seu pescoço, e ela teria mais uma vez que recolher, sozinha, os pedaços.
Lá foi ela, com tudo ensaiado na cabeça, respostas na ponta da língua, ao encontro que sem saber, mudaria a sua vida.
Entrou no carro branco, e lá viu mais uma vez aquele rosto que já estava acostumada. Recebeu um abraço demorado, com dizeres confortantes, mas ela sentia totalmente ao contrário. Manteve-se calma, com o olhar fixo e atento a cada palavra que saia daquela boca, de voz forte, todos os dizeres de elogios e lembranças do que viveram. E ela olhava nos olhos dele, apenas concentrada em não derramar lágrimas, engolir tudo, como a vida obrigou a aprender.  Foi quando aquela guilhotina desceu, e como uma lamina bem afiada, as palavras saíram daquela boca de elogios para um ponto final.
E ela pensava em não derramar as lágrimas. E todo aquele ensaio em frente ao espelho, o balançar da cabeça e do peito na batida do coração, sumiu. A única reação foi sair daquele carro, apenas dizer um “-preciso ir”, abriu a porta, atravessou a rua. E essa foi a última imagem que ele ganhou dela. Nem um “adeus” saiu de seus lábios, apenas lágrimas escondidas quando entrou em seu carro, quando ela estava segura de que ele não iria ver, ela foi recolher os pedaços dessa monologo.
Depois disso, o volante e a cidade se tornou sua amiga, rondando pelas ruas no Sol quente do dia que estava apenas começando.
Quando sua cabeça encostou no travesseiro, em reencontro das recordações, se lembrou do sonho de três dias atrás, aquele sonho que mexeu tanto com sua memória e sem ela saber mexeria também com o seu destino, que naquela hora parecia sem sentido.
Os dias se tornaram apenas dias, daqueles que batemos ponto, acordamos, trabalhamos, voltamos para casa e dormimos, para no amanhecer continuar o mesmo ciclo. Mas para que? – Ela pensava. Para que? Qual o sentido de se ter um ciclo desses quando a vida pode ser bem mais emocionante. Ela ainda recolhia seus pedaços, que nesse momento eram apenas restos, os piores ela já havia colado como das outras vezes.
Aquele homem do sonho, ele existe, já havia passado pela sua vida, muito tempo atrás, mas estava lá esquecido em um inconsciente do destino. Só faltava apenas uma coisa, que ela arriscasse.
Um dia de muita coragem, e intrigada com o motivo desse sonho ela resolve chama-lo. Já com suas partes devidamente remendadas, resolveu arriscar. E em resposta ganhou um “sim”.
E o dia chegou, mais precisamente, noite. O homem do sonho estava parado no portão da cada dela. Da mesma forma que o outro a cortou. Com o coração disparado como há muito tempo não ficava, ela entrou no carro e os dois sorriram com os olhos para um longo abraço de um minuto, mas para ela, durou a eternidade.
Ainda com sorrisos no rosto, os dois deram a partida para uma noite divertida e de muita conversa, confidencias e risadas, com pessoas dançantes e garrafas de cerveja.  Mas ela reparava que os olhos do homem iam diretamente para os dela a cada palavra que pronunciava, e os poucos toques corporais, ainda envergonhados e tímidos, faziam o coração dela disparar ansiosa, sem saber o que a noite estava preparando para os dois.
Foi quando ela o sentiu segurar a sua mão pelo corredor de gente, conduzindo-a até o lado de fora para uma conversa mais nítida, eles se olharam, os olhos tinham se encontrado desde o momento que ela entrou no carro. Quando entraram novamente no corredor de gente, ela sentiu mais uma vez, a mão dele segurar a sua, e dessa vez era um segurar mais firma, como se ela já o pertencesse, e no meio das pessoas, ele parou de frente a ela, e a beijou.
Se pudessem tocar sinos nessa hora, tocaria, foi um beijo que encaixou, o segurar dele pela cintura dela, o movimento que os dois faziam com o corpo e a respiração, parecia uma dança discreta de dois corpos que foram feitos um para o outro.
Os olhos dela mergulharam no escuro dos olhos dele, e ela viu aquela expressão tão delicada de contorno, a textura daquela pele, a barba que não incomodava ao toque. Pensou inúmeras vezes o porquê de ter sumido, da vida desse homem. Mas agora que parecia a Terra começar a encontrar seu eixo exato, ela entendeu a resposta.
Ali ficaram até a última pessoa ir embora e obriga-los a fazerem o mesmo. Já querendo amanhecer os dois foram em busca de saciar a fome. Mas o caminho permitia tantas histórias, tantas experiências vividas, afinal são duas vidas que estavam separadas há muito tempo.
Na mesa do restaurante eles dividiram experiências e histórias, relatos dela de traumas vividos e passados, daquelas que por mais escondido e trancado na memória, às vezes voltam para dar o ar da graça. Ele o mesmo, e todos os relatos contados por ele, só enxiam o coração dela, na esperança de ter encontrado alguém tão parecido e tão sensível quanto.
Voltaram ao carro, e sem vontade de ir embora, e o céu já clareando, ali o coração dela se abriu. Tentou não derramar aquelas lágrimas que tanto segurou, mas aconteceu. Ele olhava para ela como se enxergasse tudo como um filme em seus olhos, e ela sentia isso, sentia que ele prestava muita atenção em cada palavra, mesmo nessas horas ela querendo evitar ser vista tão exposta e tão frágil. E naquele momento os dois viraram cumplices.
Havia muito mais que conexão com ele, era algo de busca. Os dois desejavam a mesma coisa, creio que lá do céu, como um poder divino, poderia ser visto o momento da cumplicidade, a vida sendo imaginada na cabeça deles, como aqueles balõezinhos sonhador de desenhos, ali os dois já se imaginavam juntos muito além daquela noite.
O céu estava totalmente claro quando eles se deitaram, ele por cima dela, ela por cima dele. Era uma vontade misturada com carinho, que confessado por ele, queria há muito tempo, desde a primeira vez que ele a conheceu.
Confessou que também não entendia o porquê desse tempo todo longe, se era tão completo o que ele sentia, mesmo observando a distância cada publicação que ela fazia, cada foto postada. Ela só sorria, como se aquilo explicasse cada vez mais a sua pergunta.
Ela adormeceu sobre o peito dele, sentindo descer e subir com a respiração. No dia seguinte seria o Dia das Mães e ele precisava ir. Mas antes com a promessa de que iria voltar a noite e ela esperaria cada minuto para isso.
Como prometido ele aparece, e as declarações são mais intensas e mais firmes, os olhos continuam sendo a porta de toda a comunicação. Os toques, os beijos, os abraços e as vontades, todos encaixados como uma bela música e sua partitura.
E mais uma madrugada foi feita com esse casal, que não conseguia se soltar, por serem duas peças, que estavam vagando procurando o encaixe milagroso nessa vida. Os olhos dele ainda continuaram a admirar os dela, e as mãos dela em um movimento suave de carinho, passava pelo rosto dele. Era preciso tocar para acreditar que tudo aquilo fosse verdade.
Antes do trabalho, ela foi encontra-lo, pela manhã. Os dois sentaram em uma padaria, e permaneceram por lá algumas horas, um de frente para o outro. Como se fosse de costume a anos fazerem isso. Trocaram carinhos, declarações e risadas. Ele a elogiou por estar arrumada para o trabalho, ela admirava a roupa de academia dele que deixava muitas partes do seu corpo aparente.
Em meio a tantos “te adoro” já ditos, ela estava com uma palavra presa na garganta, porque não era apenas “adorar” que ela sentia. Ela o levou para a academia, e esperou ele estar prestes a sair do carro, quando puxou levemente ele pela barba, e ao pé do ouvido disse que o amava. Ele saiu sem responder, um pouco daquele aperto apareceu em seu peito, e a dúvida de ter precipitado as coisas.
Passou algumas horas, e chegou uma mensagem, era ele, perguntando se ele havia ouvido além, com medo, ele achou que sim, mas ela respondeu que havia dito aquilo mesmo. Foi segundos de silêncio, até ele dizer que só responderia olhando para os olhos dela, e que a noite estaria na porta.
Como prometido, e com aquele sorriso no rosto, um pouco maior do que a primeira vez, ele estava a noite em frente a porta dela. E olhando em seus olhos, segurando seu rosto com as duas mãos e debruçado no banco do carro onde ela estava sentada, ele disse que a amava, e que tinha certeza que ela é a mulher de sua vida.
Os dias passaram, e em um final de semana, ao acordarem juntos em uma cama imensa e enrolados em lençóis, ele a imaginou gravida, ela imaginou ele adormecendo e acordando ao lado dela todos os dias, ele sorriu, ela sorriu. Estavam felizes e com a certeza de que dessa vez o universo havia escutado todos os pedidos de tanto tempo, que os dois já fizeram na vida. E ele olhando nos olhos dela, como sempre faz, perguntou se ela aceitaria ele como seu namorado. Porque era exatamente o que os dois sentiam, desde aquele dia que ele foi busca-la em casa para saírem. E sua resposta foi sim.
O universo tanto escutou, como fez com que eles se encontrassem 365 dias depois da primeira vez que se viram. Exatos 365. O universo tanto escutou como fez juntar dois amantes de arte e literatura. O universo tanto escutou como fez pessoas erradas saírem de seus caminhos na hora exata. Fez aparecer em sonho, fez a procura de dois caminhos solitários virar um caminho conjunto, dos mesmos ideais, das mesmas vontades. Colocou um sorriso permanente no rosto, e deu força para os dois continuarem quando acontecer dificuldades.
Eles agora estão juntos, aprendendo, vivendo e sorrindo. Ajudando, confortando e sonhando. E aquela resposta que tanto procuravam, do motivo por terem se afastado por tanto tempo, foi respondida, não era a hora. Agora sim, é a hora certa de ser feliz...

O universo cuida, tudo em seu tempo, mas ele nunca deixa de escutar os corações solitários que procuram a dádiva do amor.  

domingo, 12 de abril de 2015

saiba. . . a vida segue

Engoli muita coisa quando li aquele monte de absurdo conclusivo da sua cabeça doentia.
Como pode? Como pode dizer que eu fui errada, que alguém de opiniões tão duvidosas te avisou de algo, que nem existiu, e você com o incrível poder de fazer tudo errado sempre, acreditou em cada palavra. Só dando muita risada disso tudo.
Que dó de pessoas assim, que além de fazer as outras sofrerem na lista intermináveis de merdas que apareceram durante esse tempo todo que estive junto, ainda, fala que quem fez a porcaria toda fui eu.
É claro, mais fácil culpar o outro do que a si mesmo, mais facil dizer que eu que fui a destruídora de tudo, quando na verdade quem descobriu bosta sobre bosta era eu.
Aí vem achado que tem poder em fazer e acontecer aqui. Só dando risada. Realmente não sou igual as outras. Eu sou do tipo que não volta atrás muito menos dou confiança aquele que só me enganou e me fez sofrer quando na verdade eu só queria leveza.
Felicidade não se busca em outras pessoas, por isso continua infeliz.
Ainda me aparece impondo coisas, cobrando coisas. É, não me conhece mesmo, na minha vida eu que escolho se vou chorar ou sorrir, porque não escolheria quem fica e quem eu quero que vá pra nunca mais voltar.
Se me fez mal? hahahaha, não tem noçao mesmo ou se faz não ter, acha que me fez bem com suas constantes mentiras descobertas? ou suas chantagens em se matar caso eu fosse embora? Acha realmente que não me faz mal em me podar em tudo, em suas crises infantis? Acha realmente? E ainda com a cara de pau em me perguntar isso, dizendo que estava com coisas engasgadas daquela época.
Quer falar de engasgado? Quer que eu desengasgue tudo aqui pra você ver quem tá com a razão.
Achou realmente que iria aparecer e eu iria amolecer? Hahahaha. Achou que seria como as outras? Que era só falar ou escrever meia dúzia de merda romântica sobre seu coração que nem você entende, e eu em um passe de mágica voltaria?
Continue dando ouvidos a pessoas como você, assim vai cada vez mais longe nessa incrível viagem de quem tem 13 anos.
Eu o que tiro dessa história toda é apenas o que não devo ser, o que eu nunca posso deixar acontecer.
Me permitir dormir em um hotel quando nem sou bem vinda, porque alguém não tem voz ativa pra isso, permitir me desdobrar para pagar contas que não são minhas, mudar o que sou, não ir embora quando descubre mentiras escondidas, criar responsabilidades que só eu poderia executar, ser a mulher e o homem da relação. E escutar ou ler um monte de besteira e ficar em silêncio.
Pare de enganar as pessoas fingindo o que não é. Para de destorcer as coisas quando se descobre as merdas que você mesmo fez, pare de mentir, pare de se fazer de vítima, pare de achar que isso segurara alguém, pare de achar que isso aproxima, pare de achar que de todas essas formas você conseguira anular tudo de ruim que já fez. Pare e cresça.
Me chamar de mimada, de qualquer coisa, não muda nada de ruim que já fez pra mim para as outras com esse seu incrível medo e covardia de tomar decisões na vida.
Se não aguenta o trancou não se proponha a se apaixonar, não se proponha a um relacionamento. Porque de mentira ninguém quer viver, e quem mente e é covarde para assumir, muito menos.
Então falando em engasgado. Tá aí resposta.
Queria tanto não é.
Agora aguenta o tranco e deixe os outros serem felizes, coisa que você não conseguiu proporcionar.

terça-feira, 7 de abril de 2015

08:39 am

" Ontem vi mais uma noite sem fim, olhando cada vez mais se havia respostas vindas de você, como antigamente. Não tão antigamente, mas que já deixa saudades.
Eu sei, deveria ter feito de outro jeito, deveria ter sorrido quando estava em cima de mim dizendo aquelas coisas que eu queria escutar, quando você me olhou nos olhos e tentou me acalmar. Eu não deveria ter chorado, perdido por alguns minutos o controle de toda a emoção que passava pela minha cabeça. Eu deveria ter te abraçado, e te agradecido.
Talvez isso também não fosse mudar nada, mas eu teria outra imagem na minha cabeça. Sem sentir agora que te afastei de mim.
Mais uma vez vejo que meu silêncio, as vezes tão engasgado, precisa continuar, porque estaríamos em outra situação agora, eu ainda teria suas ligações, suas respostas, sua preocupação.
Será que um dia de que meu silêncio não foi guardado, apagou tudo que de bom fizemos um para o outro? Quando precisava de um colo e carinho, quando se acalmava no meu peito, quando dirigíamos sem destino para ver o por do Sol, quando matávamos a saudade um do outro ou quando vontades falavam mais alto.
Sim estou pagando pela quebra do meu silêncio, talvez você não perceba, mas eu senti a diferença. Porque estou aqui a horas esperando uma resposta, ou um simples bom dia.
Vi ontem a noite clara, depois a chuva chegar, os primeiros raios saírem da janela e agora eu estou aqui, na frente da melhor terapia que eu possa ter no momento, em frente a tela branca tentando tirar essa culpa de achar que acabei com tudo.
O dia começou, e na minha cabeça tudo vai se arrastar, eu vou me ocupar com trabalho, com o transito, e com mais qualquer coisa que me faça esquecer o celular na bolsa. Mas nada tira a imagem de que eu poderia ter feito diferente.
Não será assim que você vai me fazer parar de criar expectativas, elas eu já criei pra minha vida, fico pior em saber que por muito tempo eu tento quebrar o silêncio, mas quando eu consigo, as coisas me provam que minha vida é bem melhor quando eu o mantenho, pelo menos não estrago tudo e vou levando.
Sinto muito por tudo isso, saiba que esta doendo muito em mim, culpa de todo aquele carinho passado ser esquecido por algumas palavras que eu precisava escutar.
Sinto muito em ter pedido isso em um dia ruim para você, sinto muito em não ter te abraçado e sorrido quando me disse tudo aquilo, é que aqui dentro também passam coisas que as vezes me tiram o sono, mas que por culpa do meu silêncio talvez você não saiba. Sinto muito por conta disso eu ter perdido, talvez, o encanto e todo o carinho que eu gosto e gostei de lhe entregar. Sinto muito, e quando digo que sinto, é no verdadeiro sentido da palavra.
Não me maltrate por isso, eu continuo querendo tudo aquilo que antes estava sendo.
Mas sei que sua cabeça esta longe com outros problemas, mas só pense em um minuto desse seu maluco dia o que te fez bem nesses últimos meses e se um dia merece apagar todos aqueles.
Sim, o dia já começou, e no meio das minhas tarefas o que me resta é esperar, talvez você me prove que eu não precise manter toda vez o meu silêncio."

quinta-feira, 26 de março de 2015

00:58

"Mais uma vez, eu, meu quarto, o silêncio da madrugada, e um pensamento.
Depois de tanto tempo senti aquela pontada no peito, algumas lágrimas escorregaram no rosto, e o que vem na minha mente... a partida.
Perdi as contas de quantas vezes deixei os caminhos se afastarem, quantas vezes escutei planos que não me incluíam, para caminhos tão afastados de mim.
Deus, ou sei lá quem cuida disso, sabe quantas vezes eu vi isso acontecer, quantas vezes tive que largar tudo que eu comecei a sentir. E me pergunto então, por que essas pessoas se aproximam? Nunca vou saber.
Tendo esse poder creio que será possível planejar algo. Por isso perco a esperança de planejar. Tudo que planejo me abandona. Do perfeito vira para a dúvida e a corda bamba. Então por que tantos planos, pra que tantos momentos bons se não haverá continuidade.
Ah destino, por que sempre me prega essas? Bem que minha amiga disse que o tempo se encarregaria... não é?
Agora me encontro novamente com o quarto em silêncio, meu peito doendo por talvez me precipitar na forma poética que eu acreditava ser a melhor forma de levar a vida, e mais uma vez esquecendo que essa minha sina de perder ainda me acompanha.
Talvez eu fique gravada na lembrança, mas nunca o suficiente.
É muito difícil gostar, e é mais difícil deixar ir embora, eu sei disso, já passei por tantas vezes. Me privei da felicidade só pra ver outra pessoa concluir a dela. E vendo tudo da janela, como uma fã sem acesso ao artista. Fico aqui, recolhendo as pedras que restaram de um caminho que muitas vezes não me pertence mais. "

domingo, 1 de março de 2015

Roteiro

" Reflexões sobre a minha vida andam constantes nesses meses, e parece que tomo goles de motivações diárias para uma nova trajetória... que somem toda vez que me deparo com a realidade.
Sim tenho um emprego que eu sobrevivo, sim, não vivo, apenas me mantenho na pequena vida medíocre que me tem a disposição ao receber meu pagamento mensal. Não posso me dar ao luxo de simplesmente mudar o rumo. Os bancos e contas são os tapas mais doloridos dessa triste realidade.
Ainda dirijo um carro, que por mais que seja meu, cada dia precisa de alguma manutenção relativamente importante, e que eu com tudo isso, não consigo pagar. Mas também não me impede de sorrir em um dia de sol, escutando meu som, sentindo o vento entrar pela janela. - Até que ponto isso é medíocre.
E é louco tentar explicar a forma que todos os detalhes se encaixam nessa minha cabeça. É como se tudo tivesse trilha sonora, como se todos fossem divididos em platéia e participantes dessa peça real do meu dia-dia. Loucura não é? - Não sei, pode ser, mas como é que a as coisas passam pela cabeça de outras pessoas? Visualizo a melhor luz no banho, os detalhes de água escorrendo pelo corpo, fico horas na frente da janela olhando o céu e imaginando o que seria de mim em outros caminhos naquele mesmo instante. Falo sozinha, mesmo que em silêncio aos que estão em volta. Sofro, me expresso as vezes de forma teatral. - Pois o que eu mais escuto é que a vida é um enorme filme. - porque a minha não pode ser.
Claro, não mudei o mundo, não tive teorias que salvasse a humanidade, minhas telas nem se quer são vendidas, nem ganho dinheiro com elas, eu geralmente dou - é a forma que tenho para ser um pouco inesquecível para alguém. Também não fui ninguém além dessa que digita meia duzia de baboseira que poucos dão o trabalho de ler, não sou uma pessoa de sucesso - talvez ainda não, e quem sabe nunca. - Não sou uma filha presente, neta, sobrinha, e ainda tenho preso em mim alguns bloqueios mesquinhos e sem sentido. - Resumindo... não sou nada para ser alguma coisa.
Não... não digo que não tenho importância. Ah vocês me entenderam, não venham me dizer aquelas coisas de -" você é importante para sua família e amigos." ou -" você tem um talento mas tem que ter paciência."
Cara eu tenho quase trinta, e ainda uma lista enorme de coisas que sonho em fazer, mas a triste certeza que não é tão fácil, porque nada, nada mesmo é fácil. E se eu não consegui, um dos grandes motivos é que eu acabo fazendo tudo errado.
Histórias tenho muitas, mas quem não tem. Afinal vivemos uma história todos os dias que acordamos, não há de ser diferente comigo ou com meu vizinho. Mas são as formas que isso passa na minha cabeça todos os dias.
Sou covarde. Só há essa explicação, ainda dentro da casca, ainda com medo de me jogar nesse mundo.
Jogo meus dias fora, vivendo o que minha necessidade manda. Desperdiçando todas as tintas que comprei, as telas, as folhas, desperdiçando minha juventude, minha pele ainda sem rugas. Não acreditando que tudo isso pode mudar.
Impaciente, tenho pressa, mas ter pressa quando se tem um ponto a chegar é diferente em ter pressa quando não se sabe onde ir. Seria correr sem saber para onde.
Não meu bem, tenho que entender que eu não vivo em um filme, que o roteiro não esta pronto, que eu não sei se no fim eu terei um final feliz. Mas como traçar tudo isso sem que em três ou alguns dias eu não perca o foco. Que eu não gaste meu pouco dinheiro em coisas sem retorno, ou que eu não precise gasta-lo com algo de extrema necessidade. Sim, é brincar de Tetris, todos os dias. E nunca sobra uma brecha.
Na lista eu poderia ter sido arqueóloga, cineasta, atriz, escritora, arquiteta, designer... por formação fui p parte de moda e artes. Mas na dedicação, posso dizer apenas que trabalho. Não sou nada, porque não sou reconhecida por nada. Apenas quando me apresento e digo o que faço... isso não é ser, isso é dizer que é. Dizendo eu posso ser qualquer coisa dessas que escrevi acima, diferente de fazer... fazer é provar que é.
É chegada a hora de pelo menos tentar ser. Traçar e não falhar. Perdi muito tempo montando o roteiro mas sem atuar. Perdi muito tempo, passou muito tempo.
Com o tempo sempre levo histórias, pessoas, que são responsáveis por eu estar nessa filosofia toda para uma mudança na vida. Agradecerei e serei sempre grata, aqueles que por algum motivo se dedicou algumas horas ou minutos de suas vidas para abrir esse assunto comigo, me questionar qual o plano de tudo isso, qual seria o momento de pegar a bandeira real e levantar. Até agora só sonhei com o que era fantasioso, só acontecia na minha cabeça. Triste realidade que te coloca com o corpo todo no chão. Se fosse só os pés, a cabeça poderia continuar viajando. Eu hoje me sinto pressionada no solo, algo forte me força a grudar no chão. Mesmo ainda eu perdendo tempo em textos avulsos.
Talvez uma forma de colocar as pautas na mesa. Organizar e documentar meus pensamentos.
É possível, sem ser covarde."

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Minas Gerais


" De repente, voltando para casa, escorre dos meus olhos que á muito tempo não aparecia. É.. eu estava chorando. Porque confesso que me doeu pensar que estamos no fim da linha. E para mim, mais uma vez, apenas observar - é o que posso fazer.
Tudo bem, aqui já é de costume, não imaginaria ser tão bom quanto foi - as vezes não dou muita sorte.

Eu subi naquela garupa, estava de vestido curto, mas com um shorts por debaixo... até o primeiro beijo no fim da noite e no portão de casa.
Lembro, era cheiro de noite de verão. E você com seu incrível xadrez, alto... é você estava lá. O tempo todo.
Talvez seja o mais interessado em meus assuntos.
É quase inevitável, por conta dos tamanhos, meu foco ser a sua boca. E os sorrisos tortos mais charmosos, combinando com o cabelo encaracolado apaixonante.
Ai escorre outra lágrima... porque aquelas três fotos fazem parte agora do teclado, apenas para servir de inspiração.. textos... pinturas.
As risadas, essas vão me deixar mais saudade, dos nossos passeios e comilanças, apenas com muito assunto para uma mesa de bar... todos os assuntos cabiam de uma forma.
Todos os assuntos, engrenhados ao cobertor preto e os lençóis... ah os lençóis e todos os seus derivados.
Carinho, muito carinho. E muita vontade. É... a medida certa.
Cara... não sei o que pretendia me dando aquelas três fotos. Se foi para não esquecer de ti, nem precisa, creio que esse mês valeu por muitos anos que já tive. E eu, bem... eu não sei se ficarei no meio daquelas tantas que já passaram por ai, nessa cama boa que é seu peito, mas... de qualquer forma espero que lembre com muito carinho de tudo isso.
No nosso ensaio de artista em fotos, da pequena companhia que fizemos um para o outro. As nossas cervejas e nossa forma de dividir nossos assuntos de vida bem semelhante.
Faz desaparecer minha insônia, e perco as horas.
Então liga esse video game que eu só quero ver você jogar. E achar que sei alguma coisa, e ter pesadelos com eles.
De curar minha alergia a gatos.
Ligações sem pé nem cabeça, na madrugada, e ainda me arrancava risadas.
Tudo foi uma quebra de um tédio que seguia minha vida.
E eu agora olho para as suas três fotos pensando, que daqui quatro dias você vai correr atrás do seu sonho, e eu dizendo Adeus novamente.
Ficamos horas conversando sobre horoscopo... e agora...
Sei que todo começo parece ser bom, mas aqui se trata de encaixe. A nossa "uma semana e meia". O fim só sei quando chego nele, antes, sempre se torna a minha esperança de que algo vale a pena.
Valeu cada dia, cada minuto e segundo. Cada história, cada pedacinho seu.
E nessa arte toda que se juntou, tenho que dizer que me encontro feliz.
Então Minas Gerais, ai vai ele... que carrega um pedacinho do coração da moça, e com ela resta as três imagens e a esperança de tê-lo por perto, que a saudade não seja mais uma para contar histórias, que seja apenas o motivo do reencontro. "





quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Mora na Filosofia

"Mora na filosofia

Eu vou lhe dar a decisão
Botei na balança e você não pesou
Botei na peneira e você não passou
Mora na filosofia pra quê rimar amor e dor
Mora na filosofia pra quê rimar amor e dor

Se seu corpo ficasse marcado
Por lábios ou mãos carinhosas
Eu saberia ora, vai mulher
A quantos você pertencia
Não vou me preocupar em ver
Seu caso não é de ver pra crer
Tá na cara! "

Essa música, ah essa música, foi em uma noite quente no verão que ela me apareceu tocando na cabeceira da minha cama. Um verão melhor que aqueles que passamos viajando... eu viajei dentro de mim, eu viajei no meu canto e com as companhias escolhidas... escolhidas a dedo e na vontade. 
Na cabeceira tocou, e se repetiu, e eu com os olhos semi fechados registrei cada refrão da música... me encaixei nela. E fez todo o sentido de morar na filosofia, nessa filosofia inesperada sem rotina e sem compromisso.
Não digo que você é o único, o único apenas eu... apenas eu me basta. O que vem a minha volta é apenas complemento das fantasias e dos dias saindo do eixo banal e repetitivo. 
Cansei do pensado petrificado, não vejo mais graça no conto de fadas. Fui possuída por um sentimento diferente, que chamamos de desejo de viver, e é nisso que vem os presentes reservados em cada curva de rua ou talvez de rio - porque ninguém é perfeito.
Uns dizem palavrões, outros puxam o cabelo... outros cobrem o corpo de beijo, enquanto outro olha o adormecer e sorri... uns acendem um cigarro e olha para o teto, e aquele dispõem o peito para que deite. O sorriso de um é mais bonito que do outro, mas as palavras são bem mais interessantes naquele do que nesse... me entende?
Tem dias que o puxão de cabelo é bem vindo, outros o peito já basta. O dia esta difícil então é preciso de uma boa conversa para esquecer que o mundo é triste, vem a boa piada e as cocegas no ego. 
Roupas novas usada, talvez repetida com pessoas diferentes - mas quem vai saber - apenas se sinta linda. 
O corpo se acostuma a esse exercício. 
É como viver todo dia em uma história diferente, algo novo, com surpresas novas e não se importar o que vem de ruim, nada pode atingir o pior quando não há vínculos. Apenas o virar da página.
Como diz a música tocada na cabeceira em um dia quente, corpos suando... "pra que rimar amor e dor" não precisar ter os dois... não precisa pesar e nem medir, apenas ser.
A sua verdade não deixa marcas visíveis a não ser que a vitrine seja exposta. E por mais biografias escritas, por mais histórias contadas, não será igual aos momentos que seus olhos registraram, fechados ou abertos, a verdade pertence a uma pessoa, aquela que viveu.
A sensação da pele em diferentes corpos, a textura do cabelo, e o cheiro que exalava a cada noite passada, se reflete a cada sorriso que é dado pela manhã.
Então venha com sua pedra do julgamento, e ataque no meu teto, assim posso sair dessa caixa de vidro e te provar que não é de pedras que se fazem caminhos, afinal o objetivo é tira-las do caminho para que a vida seja cada vez mais livre e leve. Nada que pesa pode alcançar a superfície e nada que não alcance a superfície pode respirar.
A minha caixa de vidro já se quebrou faz tempo, e agradeço aos responsáveis por ter atirado as pedras. Aqui de cima as coisas ficam tão pequenas.
E continuar morando na filosofia na moda de Caetano Veloso.