Tudo que tem aqui dentro.

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Não quero falar o que gosto de fazer, quem eu sou e o que pretendo, aqui estão histórias, romances, relatos da minha vida ou apenas fantasias, ideias de temas, dilemas, desabafos, verdade ou invenção essa sou eu e deixo essa parte da caixa aberta a você... bem vindo ao meu mundo seja ele de faz de conta ou a dura realidade! Compartilhem, comentem, reflitam, sintam raiva, ou amor, deixo livre e aberto a qualquer sentimento, aqui ele será bem vindo!

terça-feira, 30 de julho de 2013

A janela aberta.

" Nesses dias resolvi dormir com a janela aberta. Adormeço vendo o céu e as vezes com a luz prata que vem da Lua, e acordo com o primeiro raio de Sol, ainda menos dourado e mais gelado, mesmo assim, me desperta para um novo dia.
A busca do novo... sim, a mesma de sempre, aquele novo que se um dia chegar, eu pretendo mantê-lo em minha vida, a palavra seria... cultivar.
Cultivamos tantas coisas, mas as principais, hoje em dia, esquecemos de manter, perdemos os valores para troca-los por bens. Valores versos bens... algo de errado nessa briga, concordo. Os valores nunca perdemos, os carregamos até a morte, já nossos bens, esses, ninguém sabe quando vai acabar, e nem sempre depende de nós. Não esta em nosso controle,e mesmo assim deixamos de lado o que podemos controlar em troca de algum conforto relativo.
Ando cansada, cansada das mesmas conversas e desculpas, cansada da falta e da ausência, cansada de fingir estar tudo bem e cansada de ver calada e permanecer calada.
Aprendi que o real é essa Lua que vejo e o Sol que me esquenta, são meus valores e metas que quero seguir e pretendo, as vezes com deslizes, as vezes acreditando em mentiras, as vezes me arriscando, mas fazer o que, nem tudo é como o Sol e a Lua, nem todos realmente param para pensar que eu tenho um coração que bate, uma mente que não me deixa em paz, e vontades, saudades.
Então acreditar em pessoas, para mim, se tornou quase um mundo paralelo, é como se eu entrasse em um filme, aquilo nada é real, um dia você tem da forma mais doce e "verdadeira" e do outro dia a mentira e a frieza vem como presente. Por isso, é mais fácil encarar uma personagem, e fingir que se encaixa naquela cena diária, vivendo todos os dias como sem ser você, porque ser você em um mundo de mentira, assusta.
Os verdadeiros seres de amor, são aqueles que deixam você ser quem é, sem jogo e medo, aqueles que deixam você amar da sua forma, e não se sentem pressionados ou intimidado com isso.
Será que alguém pensa que a vida é curta, e ao invés de fazer alguém sofrer por algum motivo é fazer com que essa pessoa perca o tempo para se curar, poderia muito apenas aproveitar cada momento de troca, sem se preocupar com tempo, regras hipócritas humanas. Regras essa que só valem quando se tem interesse pessoal, como se chama isso.... ah, egoísmo. Só que esquecemos que vivemos em sociedade, sociedade pensante, sociedade sensitiva, embora muitos esqueceram o que é isso. Esquecemos que sentir vai além do tesão e do sexo, além de uma noite de uma boa trepada, as vezes nem uma boa trepada. Esquecemos que não sabemos o que será depois de fechar os olhos eternamente, e talvez... talvez, essa é a nossa única chance de aprender a amar."

domingo, 28 de julho de 2013

O dia seguinte.

" Será que vai ligar?... Ou terei mais dias assim na vida?.... Não deveria ter bebido assim... - Iguais, sei que não, nenhum dia é igual ao outro, especialmente os bons.
O dia que enlouquece algumas cabeças, o dia que faz descansar alguns corpos. Esse é o dia seguinte. O dia seguinte de um dia bom, um dia seguinte de um dia que dormiu abraçado com alguém, e agora se tem de acostumar com a cama vazia, é o dia que mais se pensa nos detalhes, ou é apenas o dia que o corpo tenta voltar aos horários e a sanidade mental de um dia comum, de uma rotina densa e sem muitas surpresas.
É o dia de se lembrar do perfume, de tentar entender algumas reações, ou simplesmente não tentar pensar para não criar expectativas.
Uma longa noite de risadas, boas companhias, lugares inesquecíveis, e no outro... se tem apenas as lembranças, lembranças essas que não se explica, apenas já se sente falta, e por muitas vezes triste, por não ter o poder em parar o tempo, ou pelo menos diminuir a velocidade dele.
Para alguns, o dia do corpo pedir saúde, beber mais água, dos abusos da noite passada, o corpo dói pedindo cama. Muitos não querem ter nenhum tipo de lembrança do dia passado. Seu dia seguinte passa a ser uma tortura. Tortura essa que alguns tem a sorte de ser apagada por uma amnésia alcoólica.
Para os amantes, os encontros de surpresa, para o inesperado que lhe arranca sorrisos e noites inesquecíveis, esse dia, o seguinte de tudo, é o que proporciona os sorrisos longos e a vontade da noite passada voltar, de alguma forma, ou de outro jeito... apenas que ela volte.
Sendo um motivo ou outro, esse dia, esse mesmo, o seguinte, é sempre culpado por ser o momento das nossas reflexões, o dia que nossa consciência coloca os sentimentos mais confusos e sinceros.
Eu aproveito meus dias seguintes, as vezes eu os uso para tentar esquecer uma noite confusa e ruim, e outras eu uso para me lembrar do perfume, das palavras e da saudade que meu corpo sente, a falta que sinto, física e mental, simplesmente a falta. Aproveito para sonhar um pouco, porque os outros dias eu terei que ser pé no chão, uso meu dia seguinte para os devaneios.
Aproveitar o próximo dia, bom ou ruim, porque as lembranças são a base de nossa balança e a nossa forma de voltar no tempo, mesmo sendo de forma imaginária."

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Iluminada.

" Ela estava lá, escondida, no meio de nuvens de inverno... Céu carregado, não deixando o brilho aparecer.
Eu seguia dirigindo meu carro, com o som no volume que não me permitia pensar em qualquer coisa a não ser o caminho para casa.
Noite de conversa jogada fora, lembranças desenterradas, e boas doses de álcool, e lá estava eu, fazendo o mesmo caminho, de quase todos os dias.
Foi quando, surpreendida com o brilho gelado e prata no céu, que direcionou meu pensamento a um espetáculo, mesmo estando quase congelando, ela estava ali, linda e enorme, se fazendo única no meio de tanto cinza já existente.
Ela é realmente linda, a Lua.
Essa noite estava completa, aceitando o adorno das nuvens que rodeavam seu brilho, sendo misteriosa, iluminando meu caminho.
Se pudesse, pararia o carro, e ficaria olhando para ela, sem me importar o que me rodeia, sem me importar o que existe de errado, sem me importar com meu caminho de volta.
Hoje ela não precisou das estrelas, e eu sentia que ela queria ser olhada.
Baixa, quase ao toque de uma mão imaginária... Como seria tocar a Lua nessa noite? Como seria tantas coisas na minha vida se eu pudesse tocar, sentir?
Meu caminho ficou mais bonito, meu caminho... o mesmo caminho se enfeitou, iluminou-se de forma natural e bela... mas eu não podia ir ao seu encontro, é impossível.
Então me contentei a ir embora, sendo guiada pelo seu brilho, pela sua beleza, me contentei a chegar em casa e a observar pela última vez. Tentando imaginar, como seria, ter você como lar."

terça-feira, 23 de julho de 2013

O último recado.

São Paulo - Estação Luz
" Hoje dirigi por horas, , rodando pela cidade a noite, apenas pensando .
Foi um dia difícil, daqueles que te fazem ter todas as sensações do mundo, e a mais assustadora e surpreendente foi a mensagem que recebi. Digo assustadora por ter sido no momento e que se enrolava uma discussão, em um momento que eu achava que as coisas nesse dia não iriam mudar. E como sempre, não sei como e depois de tanto tempo, você aparece na hora mais exata, mesmo em forma de palavras.
Fiquei por minutos olhando sem ver a mensagem, com medo das palavras que ali estavam, e o filme voltou novamente.
Não... não se desculpe, na verdade eu que deveria pedir pelo tempo que se passou, e nele procurando esquecer. Me desculpe por diversas vezes que tentei adiar o inevitável. Perdoe-me das confusões que lhe coloquei, e por não ter enxergado o que iria acontecer, e o que acabou acontecendo.
Ai, eu apareço, depois de tanto tempo, nem mesmo com coragem de lhe dizer isso, apenas com palavras no nosso velho esconderijo de textos, e sem esperança que você estivesse ainda lendo todas essas ladainhas, e resolvo escrever minhas saudades e anseios.
Não esperava que fosse parar em seus olhos, ao ler sua felicidade, não tive coragem de encaminhar, preferi silenciar com o último texto, tendo a absoluta certeza de que as minhas palavras não convinham mais, e de que tudo havia sido esquecido.
E ai esta a grande surpresa que é viver.
A forma que entendi que eu precisava te deixar, e a forma que não entendo de ainda esse laço, mesmo que platônico, ainda nos une de uma certa forma.
Agora sei que fiz parte da sua felicidade, dessa atual, sai do caminho para que seguisse feliz, e com o sonho nos braços.
Da mesma forma que lembrarei o quanto fui feliz neles. E mantendo o que sobrou de nós... o esconderijo de palavras."


O dia barulhento.

" Um dia carregado, e a chuva não mostrou diferente. Foi sim, aqueles dias de doer a cabeça, de pensar, refletir, de sentir e de chorar.
Inexplicável a mudança, se horas ou minutos transformarem e surpresas, em brigas ou em silêncio.
Um dos dias mais frios que me lembro ter passado nesta cidade, acho que minha vida resolveu pegar o embalo com ele.
Eram muitas coisas sufocadas, esperadas serem posta para fora, sem modos, sem expectativas e sem volta.
Confesso, me senti mais leve em falar, em escutar, até no silêncio que veio em conjunto, eu senti leveza. Ah, precisava daquilo, eu preciso sentir pra ver o quanto vivo esta, o quanto vale a pena lutar.
Luta, praticamente batalha, essa é a palavra, guerra de palavras que por um propósito maior, acharam um meio de se mostrar e de se fazer escutar.
Hoje foi o dia da explosão e da liberdade, da forma que encontramos ser mais sincera, da forma que encontramos ser mais certa e foi assim que terminou o dia.
Irei deitar em minha cama, e finalmente sentir o alivio pedido, e receberei ele de bom grado para meu sono tranquilo.
E pedir com ele, que continuemos sempre, da mesma forma que eramos, desde o início."

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Em resposta ao silêncio ainda permanecido.

" Demorei a te procurar, eu sei.
Nesse tempo todo, muita coisa mudou, na minha vida, e imagino que na sua.
Já havia mudado bem antes que eu saísse dela, e agora então...
Não sei onde estava com a cabeça de imaginar que você estaria só. Afinal, eu estou, mas apenas eu.
No fundo sabia que quem atrapalhava suas obrigações de ter a família escolhida seria eu, eu te disse, desde o começo de todo o problema, sei que me amou, mas não era o suficiente quando se trata de uma criança. E eu, nunca pediria a mesma importância.
Mas depois a tristeza em saber que tudo passou, senti alegria em ver que a família que tanto sonhava se construiu. E eu não tive coragem de lhe dizer que escrevi dois textos novos para você.
Vou ficar sem saber se nasceu menina ou menino, mas não importa, o que importa é que você tenha se completado.
Eu não mudei muita coisa, eu ainda espero alguém ver as coisas bonitas que você viu em mim, que eu acho as vezes que só você poderia ver. Espero que alguém olhe para meus olhos como você costumava olhar, e que me ache doce e especial como você costumava escrever.
É, o tempo não volta, eu só carrego a saudades e o peito leve de ter feito talvez, a melhor coisa para você. Para nós. Bom, isso eu já tenho dúvidas, eu não vou responder, não sei se foi melhor pra mim. 
Desculpe não ter coragem para que um dia esse texto chegue aos seus olhos, desculpe se a minha atitude de sumir da sua vida te fez algum mal, mesmo quando eu lia seus textos com fotos minha, eu engolia, e procurava te esquecer da forma mais egoísta possível.
Ai os anos passam, e uma dessas olhadas nos arquivos, eu reencontro o que um dia foi bom. Relembro a forma de te escrever, mesmo sabendo que quem irá ler, não será você.
De qualquer forma, saiba que eu lembrei, em um dia, e de um dia, que eu fui muito feliz."

Um ano no silêncio.

" O que será que aconteceu com você?
Muitas vezes me perguntei qual seria o ramo de sua vida.
Faz tanto tempo, tantas lembranças que eu ainda carrego, e me pergunto se você ainda tem lembranças de mim. Se ainda se lembra dos meus detalhes, porque eu lembro dos seus.
Em vários momentos pensei em perguntar, tentar saber, procurar informações, mas achei que não estaria preparada para a resposta. Afinal o motivo de tudo ter acabado seria o assunto a perguntar.
Me joguei no mundo, forçada mas foi, aquela viagem, lembra? pois é, realizei, e sinto saudades de lá agora. Vivi mas acho que não da forma que você torcia para que vivesse, me magoei muito e continuo me magoando, talvez seja esse meu destino. Agora procuro não me importar tanto, já que muitas vezes acontece.
Me peguei lendo seus textos, lembra? As trocas de promessas, desejos e agonias, sinceramente foi difícil não chorar. As vezes me pego vendo as fotos, como essa, e lembro-me de como foi essa nossa época. E como poderia ter sido diferente.
Eu consegui me livrar do conquistador barato, é, acredite, antes de partir da terra Mãe, me fiz uma promessa, que eu não voltaria com ele, e assim foi. Mas não me livrou de mais alguns.
Alguns do passado voltaram, tentaram me provar coisas, mas que na verdade só me fizeram sentir saudades de como era ser amada de verdade.
É, eu lembro de tudo ainda, por mais tempo que tenha passado.
Maluca, eu sei, nem ao menos sei o que aconteceu em sua vida, e se ainda posso me lembrar dessas coisas com essa sensação doce. Seus sentimentos já devem ter mudado, e sei que mudaram, não tive mais notícias, isso já é um resultado de mudança.
Alguém teria que dizer que ainda lembra, e acho que dessa vez eu fui a primeira. E nesse caso a única.
Foi rápido, é, foi mesmo, e intenso, e muito verdadeiro. Me perguntam até hoje o que aconteceu, e eu nunca respondo, em respeito a nós, mesmo porque, eu não sei mais da sua vida, principalmente de você.
Dirigi tantas vezes pra tirar tudo isso da cabeça, relembrei muitas vezes, quando vou comer na mesma padaria, quando vou no museu, quando vejo um carro igual, quando vou em caminho a sua casa. Será que você ainda se lembra com tanto carinho como eu? Ou será que fui esquecida na gaveta.
Onde será que você guardou o bilhete que fiz ao sair da sua casa... ou como será seus textos hoje, pra quem escreve? Será que precisa de mim? ou melhor nem saber.
Um ano, e silêncio. Nada se sabe, nada se escuta, e o que mais sinto falta, nada se lê.
Quando abria aquela página e sabia que cada palavra daquela era para mim, mesmo que doesse, eu sabia que tinha alguém que se importava realmente comigo. E agora me pego na ridícula forma de sentir saudades e não me manifestar.
Nunca gostei de sentir saudades, e também nunca fui boa em ficar em silêncio. Então, esse foi um olá de muito tempo, e a forma de saber como você esta?
Porque eu ainda sinto saudades."


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dupla realidade.

" Caminhou com as mãos nos bolsos para não congelar os dedos, que já estavam dormentes, colocou o máximo possível de seu rosto enterrado na gola alta do casaco e procurou não escorregar na placa de gelo liso que estava na calçada. Os passos eram firmes, deixavam um rastro de pegada das botas de aderência sobre a camada fina de gelo.
Procurou apenas andar, não olhou para trás, ainda tinha o perfume dele preso no rosto, se respirasse forte ainda poderia sentir o cheiro forte de perfume masculino em seus lábios. Procurou não pensar, procurou não chorar e não conseguia sorrir.
Só parou quando se deu conta de estar bem longe, e seu ventre se chocou com um bloco de concreto, era a ponte, ela estava voltada para o rio, um rio que pareceu negro naquela hora da noite, e ai respirou mais calma, mesmo que seus olhos só olhassem para o rio, ela ainda tinha ele em pensamento.
Saíra correndo do restaurante, estava tudo bem no começo da noite, ele estava vestido com um lindo casaco sobretudo, um cachecol e uma calça jeans. Era ele, sempre ele, ali parado em sua frente, com um largo sorriso branco, deixando a fumaça das tragadas do cigarro saírem de sua boca, como um galã de filme antigo. A recebeu com o mesmo sorriso, e a beijou a boca como antes, segurando seu rosto e passando a mão levemente em seu cabelo.
Já havia uma mesa a espera dos dois, era o mesmo restaurante de sempre, o mesmo garçom de todas as noites, e ela estava igualmente feliz, como todos os encontros com ele, sabia que depois do restaurante, eles iriam de mãos dadas pela rua se protegendo do frio andando juntos, chegariam na casa dele e esqueceriam do frio da rua, abririam uma garrafa de vinho, e se olhariam no sofá, e já sem roupa estariam na cama, trocando de lugar, se aquecendo apenas com o calor dos corpos que estariam entrelaçados em movimentos e carinhos. Acordariam no dia seguinte e cada um seguiria a sua vida, cada um para seu trabalho... A mesma coisa de sempre.
Mas ela não esperava que nessa noite seria diferente, essa noite tudo seria diferente depois da sobremesa pedida no restaurante.
Olhou mais uma vez para o rio. Não, eu não posso fazer isso, não por ele, não vou. Pensou ela em pular, mas era fraca até para isso, era fraca por ele, imagine em tirar sua vida. Enfiou mais uma vez as mãos nos bolsos e caminhou rumo a sua casa.
Finalmente colocou a chave no furo da fechadura e entrou, logo ligou o aquecedor, e foi direto ao banheiro, precisava tirar o cheiro dele na carne, era torturante, mas ao tempo que a água e o sabão levava-o embora, ela saberia que sentiria a falta dessa lembrança que sempre carregará no dia seguinte, e que seria a última vez que poderia sentir.
Se serviu de uma taça de vinho, e sentou perto do aquecedor, não conseguia mais chorar. Veio então a raiva, a culpa, e a confusão. Quando o telefone tocou. Ela deixou cair na secretária eletrônica e uma voz que ela conhecia muito bem saiu da caixa.
"Ei, está ai, fiquei preocupado com você, saiu, correndo quando voltou do banheiro, não sei o que aconteceu, fiz algo de errado? Por favor me retorne ok, estou em casa, quer que eu vá até ai? Que droga..."
Escutou um bipe, e a ligação terminou.
De fato, foi embora sem ouvir a explicação dele, apenas voltou, pegou sua bolsa e casaco, e saiu e o deixou ali na mesa, sem reação.
Mas quando uma mulher aparece no espelho ao lado do seu no banheiro, e mostra uma foto dele com ela, beijando-a do mesmo jeito que ele a beijava, seria motivo suficiente para sair correndo. Ficou tão atordoada que não se lembrava do rosto na mulher, só lembrava que diferente dela, a mulher era loira. E viu o sorriso que ela fez quando mostrou a foto, parecia dizer, olhe é ele não é? e essa não é você.
Bebeu em um gole a taça de vinho, ao lembrar dessa cena, fechou os olhos com tanta força que ao abrir viu pontos luminosos piscando, e mais uma vez o telefone tocou e mais uma vez ela deixou a secretária eletrônica fazer o serviço.
"Estou indo ai certo, estou preocupado e não vou dormir com isso na cabeça. Em cinco minutos estou ai."
Só se ele vier de táxi,a casa dele é muito mais que isso apé daqui. Pensou ela.
Não se mexeu, ficou sentada no mesmo lugar, se fosse outras épocas ela escolheria a melhor roupa para ele, a melhor lingerie, pentearia os cabelos, e retocaria a maquiagem, dessa vez, ele iria ver a sua essência pura e sem disfarce, e dessa vez ela nem ligará para isso.
Escutou a campainha, e ao tocar ela parecia longe, cada vez mais longe e longe...
Ela acordou, o coração palpitando, o suor gelado, ainda com a visão desfocada, e os punhos cerrados amassando o cobertor pesado de inverno.
Levantou sentando-se na cama, olhou para o lado, e viu o corpo dele, com o tronco nu, dormindo ao seu lado, da mesma forma que viu muitas vezes. Ela olhou para ele, ainda em dúvida. Será que aconteceu, eu lembro-me de ter ido jantar com ele, de ter tomado vinho. Sim ainda sentia o gosto do vinho na boca. Será que apaguei quando ele chegou, e não lembro mais o que fiz. Meu Deus. O que aconteceu? Levantou da cama, e caminhou até seu banheiro. Ela estava no seu apartamento, não no dele que de costume era. Acendeu a luz, lavou o rosto, e quando olhou no espelho, levou um susto. Desde quando eu sou loira? O que esta acontecendo? Saiu do banheiro, com as mãos tremendo, procurando no lixo alguma caixa de tintura de cabelo, não achou, foi até a sala, e viu vazia uma garrafa de vinho e duas taças, caminhou até a mesa do telefone, lembrou da mensagem deixada por ele na secretária eletrônica, estava vazia.
- Volta pra cama, o que esta fazendo de pé a essa hora? - Ela virou em um salto, seu coração quase explodiu de tantos batimentos, era ele com os olhos serrados de sono, encostado no batente da porta da sala, apenas de cueca.
- Já vou, volte e me espere, só preciso levar essas taças pra cozinha. Alias, ontem você me ligou? - Ela se virou para pegar as taças, mas fez para que ele não visse seu rosto atordoado.
- O que esta falando, deixa as taças ai e vamos dormir. Tomamos tanto vinho assim que não se lembra de ir jantar comigo, sempre fazemos isso. Vem logo pra cama. - Ele se virou, coçando a parte superior das costas e caminhou devagar ao quarto.
Eu não era loira. Fomos jantar sim, mas eu sai de lá, quase me joguei no rio, esperei por ele aqui em casa, tomei uma taça de vinho. Meu Deus, ou ele me drogou e pintou meu cabelo, ou amanhã preciso de um médico urgente, eu não lembro a cor do meu cabelo. Fotos... Ela foi direto a um único quadro da sala que tinha molduras de muitas fotos, de família amigos, e deles. E lá estava os cabelos loiros quase brancos. Não, não é possível, estou louca. 
- Vou acabar dormindo sozinho, é isso? - Disse a voz dele no quarto.
Vou dormir, quem sabe esse é o pesadelo, preferia na verdade que esse fosse a realidade, estaria feliz com ele na minha cama, feliz em descobrir que não tem outra, mas infeliz em saber que estou ficando louca e talvez fique sem ele por isso. Ela sorriu com tudo isso, e foi em direção ao quarto.
Lá estava ele, do mesmo jeito que ela lembrava, se era sonho, ou realidade, ele era o mesmo nos dois mundos. Esperava por ela sempre sentado na cama, deixava o cobertor cobrir apenas a cintura, sabia o que ela gostava de ver, adorava as pernas grossas dele, e o ombro quadrado, adorava o pescoço dele, pescoço de homem, dizia ela. E ele dava aquela leve batidinha no lado em que ela dormia na cama, e fazia aquela mesma cara de quem espera a companhia dela para só assim dormir bem. Ela se rendeu, e se enfiou debaixo do cobertor pesado, ele escorregou seu corpo mais para baixo e passou um dos braços em volta do pescoço dela.
- O que aconteceu hein? que pergunta foi aquela? Não se lembra em ter ido jantar comigo? - Disse ele, com a outra mão acariciando os cabelos dela.
- É que tive um pesadelo horrível, e fiquei na duvida se estava no pesadelo, ou se esse é o sonho. Sabe parece loucura, mas eu não me lembro de ser loira. - Disse em um tom verdadeiramente de dúvida.
- O que esta falando? - Ele se afastou um pouco dela, mas continuou com o braço envolvendo o pescoço dela. - Você sempre foi loira, jantamos ontem, no mesmo restaurante de sempre, mas você preferiu mudar as coisas, e olha me surpreendeu na mudança. - Disse ele com um sorriso enorme de satisfação.
- Ah é? Qual foi a surpresa? - Ela olhava para ele, sorriu em ver o enorme sorriso que ele carregava no rosto. Não era sorriso de deboche, era um verdadeiro sorriso de satisfação.
- É você esta estranha mesmo, talvez amanhã te leve no médico. - Ele a abraçou. - Você disse que essa noite passaríamos aqui na sua casa, porque você precisava me mostrar uma coisa, uma não, duas. Uma confesso que nunca havia visto você fazer isso, e outra eu realmente não esperava tão cedo.
Ela olhou curiosa. Não lembro de porra nenhuma que eu fiz ontem. Pensou.
- Olhe para o lado. - Disse em com uma cara que ela conhecia bem, a cara de safado, daquelas que costumava fazer quando estavam na cama.
Ela olhou, acendeu o abajur e viu corpete preto de renda, que combinava com a calcinha que ela usava, um chicote, meias uma para cada lado, algemas, um par de sapatos bem alto, uma máscara. O que eu fiz? nunca teria coragem de fazer isso, sempre fui ridícula, sempre com vergonha de fazer isso com ele, mesmo ele me pedindo muitas vezes. Que droga que eu usei. 
- Achei que você não gostava disso, foi uma surpresa e tanto. Pode repetir quando quiser. - Disse ele apagando o abajur, depois ajeitou a cabeça dela no peito, e ficou em silêncio.
Tem algo de errado, que mundo eu estou vivendo? Ei... pera, ele disse que eu fiz duas surpresas, e a outra. Pensou ela, e percebeu que ele estava quase adormecendo, já quase pegando no sono profundo. Ela foi próximo ao ouvido dele e perguntou bem baixo, para não assusta-lo.
- Qual foi a outra surpresa que eu fiz para você? - Disse quase em um sussurro.
Ele se virou abraçando-a por trás, se ajeitando para um longo sono.
- Amanhã você vai no médico. Esquecer nosso primeiro filho não é normal. - Disse no ouvido dela, e logo adormeceu dando um último beijo no pescoço.
Eu estou grávida? O coração mais uma vez quase explodiu, as mãos suaram feito dias quentes de verão.
Ela despertou, a casa arrumada, as roupas que estavam pelo chão não estava mais, ela estava no quarto, a cama vazia do outro lado, correu para o banheiro, seus cabelos castanhos. Como sempre, eu sabia, aquilo era um sonho. Pensou logo e lavou o rosto.
Foi até a cozinha, abriu a geladeira e pegou a garrafa de água que lá estava, ao fechar viu um bilhete.
"Parabéns a mamãe mais bonita do mundo, só precisamos decidir... na sua casa ou na minha? Te vejo a noite. Com amor." 
A letra ela conhecia só que não conhecia a si mesma.
Qual será a minha verdade? "

No banho.

" Era como gosto amargo de café sem açúcar - ela pensou enquanto a água escorria no seu corpo debaixo do chuveiro. A água era quente, temperatura que deixava a sensação confortável quase parecida com um abraço. E por lá ficou, sentindo o calor pelo corpo todo.
O que tanto erro? Deus, será possível, todos os dias tem que acontecer alguma coisa, tem que mudar alguma coisa? Por que não muda para melhor só para variar. - A cabeça encostada na parede já molhada pelo banho, só metade do corpo com a água deslizando, quente, que deixava partes avermelhadas.
O vapor era denso, já parecia estar em uma sauna, e a vontade de sair daquele chuveiro eram nulas. - Quero sair daqui debaixo só quando alguma coisa acontecer de bom. - Pensou colocando a cabeça debaixo das milhares de gotas que desciam.
O celular vibrou. - Maldita tecnologia, nos deixam escravos disso, parecem o sinal divino quando tocam, parece que é Deus mudando a sua vida em um trepidar de um bloco preto que acende luz. E eu, até levo ao banho, deixo ele aqui na pia, como se um segundo fosse mudar toda essa meleca. - Pensou, enxugando as mãos e abrindo o box para acalçar o celular.
Uma mensagem, número 00000000 - Que número é esse, deve ser mais uma promoção de operadora, mais um engano de cobrança. - Desistiu de ver e continuou a afundar a cabeça quase morta e mole debaixo da água.
Já se passou muito tempo debaixo desse chuveiro, isso gasta, e a água não vai mudar minha vida, pensar na vida no banho também não, o que mudaria eu sair cheia de sabão e molhada, sem contar no frio que eu sentiria em pleno inverno. Chega de perder mais meu tempo, colocarei meu pijama e deitarei na cama, a mesma cama. - Desligou o chuveiro, o vapor ainda dominava quase impedindo ela de ver qualquer objeto do banheiro, se enrolou na toalha que estava ali pendurada no box, e se sentou em cima da tampa do vaso sanitário. Olhou mais uma vez para o celular na pia, e resolveu ler a mensagem.
(Vim por meio desta lhe dizer que te darei uma chance, pense muito ao executa-la. Ao sair desse banheiro terá como decidir uma coisa que mudaria nas decisões erradas que tomou. Sei que não foram todas culpa sua, como pensa, realmente não foram, mas cabe a você decidir quem e o que fica na sua vida, apenas uma mudança, talvez a escolhida mude todo o resto. Sei o quanto dói, vejo isso tudo, não digo que não prego-lhe peças, não vou dizer também que nunca gargalhei das decisões medonhas que vejo você tomar, mas ai esta, uma única chance. Antes que se pergunte que merda é essa, é a tecnologia chegou até mesmo em seus desejos, assim fica mais fácil de entrar em contato, achei por meio de mensagem ficaria mais breve sem problemas de questionamento de sua parte, não quero que me pergunte nada, nem mesmo que eu sou, mas só te digo, saindo daquela porta, você terá a oportunidade que pediu, apenas uma, então pense, sei que usa o banho para isso, colocar a cabeça pesada na parede e deixar a água relaxar seu corpo é realmente uma boa forma de pensar. Boa sorte garota.)
Além de debochar da minha cara ainda faz me sentir maluca, deve ser alguém brincando comigo. - Apagou a mensagem, pensou antes em responder, mas esse número, não era número que aceitaria um envio de resposta. Quando colocou novamente o celular na pia, ele vibrou, mais uma mensagem, do mesmo número.
(Não é uma brincadeira, pense e escolha.)
Permaneceu sentada ali, o vapor já estava quase pela metade, já podia ver a maioria dos objetos suando, derramando gotas do banho quente. Levantou, limpou com uma das mãos o espelho, deixando uma leve faixa com gotas de água, pode ver sua imagem retorcida na sua frente, esfregou as mãos no rosto, olhou novamente a mensagem, viu que não estava louca, e começou a pensar, no que deixará aquele gosto do café amargo na boca, quais seus medos e quantas decepções e alegrias havia derramado em seus banhos, quantas vezes ali sorria se preparando para uma noite feliz, e quantas vezes chorava ou pensava quando o que a esperava era apenas uma cama vazia e uma noite longa de leitura e lembrança. As vezes que as pessoas esqueceram que ela carregava sentimentos, as vezes que alguém esqueceu de todas as coisas que um dia entregou a ela, dos cheiros de perfumes que ela removia do corpo enquanto a água quente escorria e o sabonete retirava as lembranças. A última vez que ela respirava o perfume de outra pessoa presa em um pedaço de sua pele, e sentia saudades quando terminava o banho e percebia que o cheiro havia ido embora. As vezes que se trancava lá, só para o barulho do chuveiro abafar o choro, e as vezes que a música alta colocada durante o banho fazia com que ela dançasse.
Lembrou de tudo isso, lembrou das vezes que ficava vendo a rua pela janela enquanto tomava banho, o vento gelado que batia no rosto quando seu corpo estava quente da água, dos incensos que acendia durante um dia tenso para ajudar a relaxar, dos desenhos que fazia no box, dos corações com iniciais dos meninos que gostou durante a vida.
Realmente era o seu lugar favorito para pensar. Era a água, o barulho dela ao bater no chão, o calor que ela proporcionava no corpo, e a deixava invisível com o vapor. Era um lugar que sempre respeitavam, e nunca entravam sem bater ou apenas por emergência, era um lugar que ela sempre ficará sozinha sem explicação do porque.
Depois de tanta lembrança, de pensar em tudo que havia passado no menor comodo de sua casa, lembrou-se do que deveria mudar. Afinal, novamente era lá que ela estava, e estava fazendo como antes, pensando nos motivos que estava tão chateada.
As expectativas novamente foram quebradas, e não conseguia achar a peça do quebra-cabeça, não achou a sua culpa, e talvez não fosse sua culpa dessa vez. - É não foi a minha culpa, dessa vez não, deixei livre, deixei que os dias me mostrassem como seriam, e o que aconteceu... aconteceu que os dias me mostraram que houve mudanças, mudanças da forma que me trata, mudanças, elas nunca são boas comigo. - Assim decidiu.
Decidiu que nada iria mudar, decidiu que qualquer mudança que fosse fazer não adiantaria, por que na vida, não cabe a um ser apenas mudar as coisas, é preciso os dois, duas mudanças, voltarem a ser como antes, ou o caso seria o que de obvio iria acontecer caso continuasse assim.
Para onde foi tudo aquilo? Alguns dias eu estava aqui sorrindo, me sentindo a pessoa mais importante pra ele, sim eu me sentia importante, e agora, eu nem sei o que eu sou, as vezes pareço apenas aquela ali. E foram as mudanças que me fizeram infeliz. Eu não vou mudar nada. - Abriu a porta no banheiro, ainda enrolada na toalha, mas já o corpo quase seco. Olhou-se no espelho e disse: Eu, essa sou eu, me conheceu assim, não mudei, e se for pra ser, não precisarei mudar para ter. Eu só quero que as coisas não mudem. Por que não pode ser bom como o começo... E se mudar eu sei que não foi por minha causa. Porque eu continuo a mesma. A mesma que vai estar pensando debaixo do chuveiro, e a mesma que ele conheceu. - Colocou seu pijama, e deixou agora o travesseiro fazer a parte do descanso. "

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ainda espero.

" Sabe o que eu tenho saudades em você, do esforço que você fazia para eu acreditar nas suas promessas e palavras doces, e sabe o que eu tenho saudades em mim, quando eu acreditava em tudo aquilo que você me dizia.
A distância trazia isso pra nós, a incerteza dos meus pensamentos, a dúvida que você tinha em que eu estaria pensando, em quem eu estaria pensando. Você tinha que me conquistar. Se desdobrava com o tempo livre e me fazia sorrir com ele.
Sim, sinto falta disso, tão pouco tempo se passou dessas formas de carinho, e eu já sinto saudades, algo diz que então, você deixou de lado quando conseguiu, algo diz que quando você escutou e eu estava ali na sua frente, você não precisaria me enrolar com palavras.
O triste da história é que não me faço de cega, quero o completo, eu quero como antes, porque se for por migalhas eu prefiro nem ter.
Pedir que se lembre das coisas que faríamos juntos, apenas em uma mesa de bar, ou em um tela enorme de cinema, e eu virei seu brinquedo de se fechar em quatro paredes, assim é fácil, para você.
Eu quero muito mais, mais do que ser apenas amigos coloridos, apenas quando convêm, apenas...
O que aconteceu com todo aquele tempo livre quando eu ainda lutava para não me envolver? Quando todas as semanas eu recebia um convite para fazer alguma coisa, para encontrar você? É sempre assim, sempre falta tempo quando as prioridades mudam, e creio eu que mudaram. 
Gostaria de voltar a acreditar em tudo que me falam, mas gostaria principalmente de não sofrer quando descubro a mentira. 
Porque esquecemos que tratamos com seres humanos, daqueles que precisam de compreensão, ou daqueles que sim, choram ou ficam tristes, compartilham felicidades... O mundo esqueceu disso, e o amor foi junto com ele, seguiu os passos dessa coisa maluca que envolve cada vez mais o sentimento alheio, e acabou se perdendo por ai.
Não, não é drama, charme, forma de chamar atenção. São apenas fatos, é só ler,leia como era antes, leia as próprias palavras que um dia saíram das pontas dos seus dedos, e veja o quanto mudou. Eu também cansei de fazer drama, e cansei de ser idiota, por isso a forma que tenho de expressar o pouco que sinto ainda, e que não tenha virado pedra, são com palavras. Pena não ser ditas, mas pelo menos escritas. Eu não as engulo mais, eu não fecho mais meus olhos quando se trata da minha felicidade.
Sim... tinha tudo para eu acreditar. Sim... eu acreditei, mesmo lutando com a pequena voz do medo. Eu acreditei. 
Gostaria de ser fria, de jogar esse maldito jogo de sentimentos, de dar o troco, de fingir que nada acontece, de fazer que esta tudo bem. Ah sim, eu gostaria, gostaria de um mundo mais sincero, de um mundo mais fácil, e de poder finalmente ser tratada da forma que eu mereça... Eu apenas gostaria... 
Ah... sinto saudades das mensagens no meio do dia, da simples pergunta se eu estou bem, das brincadeiras, sinto saudades da conquista, só que hoje, não sei dizer se era verdade, se aquilo tudo era por vontade ou se apenas por ser mais uma. 
Sinto saudades das noites acompanhada, dos pés se encontrando, da conversa jogada fora. Cansei das noites solitárias, com as palavras jogada a meia dúzia de gente que entenda. 
E sabe o que é pior? Você sabe disso. Talvez esse seja meu defeito e sempre foi, abrir o jogo, achando que em troca a sinceridade viria de bom grado em forma de abraço e palavras sinceras ao pé do ouvido, ou apenas olhos nos olhos, sem máscaras, sem jogos, sem capa.
Esperamos um longo tempo para o encontro, esperamos ansiosos com expectativa de ser a melhor coisa que tivesse acontecido por este longo tempo, pois é.... esperamos....
Agora espero, só não sei até quando consigo esperar, para ter a certeza que não esperei por uma pessoa que eu nem conheço mais."

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Anjo mal.

Fazia definitivamente muito calor. Era impossível deitar na cama com qualquer tipo de pano, e era igualmente impossível dormir com a janela fechada. Permaneceu aberta, escancarada em busca de uma leve brisa que parecia lutar com o ar quente para aparecer. 
O sono não aparecia, o corpo parecia grudar no ar, e a respiração era quente. Na testa escorria a água do corpo, grudando os fios do cabelo pela nuca e testa.
Depois de muito virar na cama, pegou no sono, o corpo já em estado relaxado, apenas como o calor nos deixa, inerte a qualquer tipo de movimento rápido, e assim o corpo estava na cama. 
Sentiu esfriar, mas não conseguia abrir os olhos. 
Um corpo encostado no dela, era um corpo encostado no dela. 
Podia sentir, a respiração que não pertencia a sua, e um cheiro de amêndoas doces, era agradável. 
"Olhos abram, eu quero ver o que é isso." Disse ela.
Não abriam, estavam colados, qualquer força para abri-los seria inútil. Ela logo desistiu. 
Sentiu algo chegando perto de seu rosto, como uma respiração próximo, e aquele calor todo do dia, pareceu desaparecer, não sentia mais seu corpo molhado, não sentia mais o desconforto do ar quente como fogo. 
E um toque ocorreu em seus lábios, eram dedos, sim, passando pelo seus lábios, delicadamente, como se ela fosse quebrar ao toque, sentiu os dedos, percorrerem seus olhos, e foi exatamente quando eles se abriram como se tivessem destrancado. A visão surgiu. 
Eram dois olhos cores de amêndoas, dois lindos olhos, a expressão mais linda que ela tinha visto, paralisou por segundos nesses olhos, e fez com que seus olhos percorressem o rosto desconhecido.
Nunca havia visto, mas não havia a possibilidade de gritar, falar, estava muda. E ele era tão encantador que se recusava achar que fosse alguém querendo machuca-la. 
A pele era lisa, seu nariz desenhado, e a boca acompanhava a perfeição do conjunto. 
"Se for um sonho, não me acorde, por favor, não me acorde." Pensou.
O rosto desconhecido sorriu, Mostrando a fileira de dentes brancos e reluzentes. 
Ela retribuiu o gesto. E viu a boca de aproximar dela. 
Só pode mirar em direção a ela, e a tocar com a retribuição de um beijo. Tão doce quanto as amêndoas que carregava na essência daquela pele. 
Beijaram-se de forma rítmica, suas línguas pareciam se conhecer toda a vida, e o rosto se encaixava como um quebra-cabeça. 
As mãos se tocaram, entrelaçaram-se em dedos se apertando. E os corpos se juntaram.
O frio com o quente, sentia seus músculos pressionando seu corpo, e sentia o movimento. Os olhos dele não desgrudavam dos dela. Era como se admirasse cada sentido que os olhos davam para cada toque que ele movia em seu corpo. Procurava ver a expressão de cada sensação que ela tivesse. 
Se amaram, sentiram cada pedaço do corpo, cada parte tocando, era impossível conter os sorrisos e os olhares profundos, sem perceberem piscar.
Seus olhos fecharam, e sentiu o corpo amolecer, a respiração diminuir, e o calor voltar em seu corpo. Sentiu o suor novamente grudar seus cabelos e molhar sua pele, o ar quente novamente invadia seu quarto.
Os olhos se abriram, estava só.
Só em sua cama. "Seria um sonho, sonhos eróticos em pleno calor." Pensou.
Levantou da cama, sentando em seu colchão molhado com a marca de seu corpo, apenas de seu corpo. Resolveu levantar, ao pisar no chão, viu marcar, pegadas, em direção a janela. Que sumiam assim que chegavam a parede. 
'Alguém entrou pela janela, Meu Deus, alguém entrou aqui e dormiu comigo." Assustada, olhou pela janela, para os lados, e nada.
Estava sozinha, com a melhor sensação da vida. Com a lembrança da melhor noite que já tivera, mas acordou em uma noite horrível de calor, apenas ela, naquela cama. Sem explicação, sem o depois, apenas sozinha.
Procurou dormir se virando mais algumas vezes na cama, olhando para a janela aberta sem sinal de qualquer brisa refrescante que poderia ajudar a se acomodar para um sono melhor. 
E assim adormeceu. Com o corpo envolto ao suor, e sem explicação de quem seria realmente aquela pessoa que lhe despertou a melhor sensação em uma noite insuportável de verão.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Tapa na cara.

 Acordei com um grande tapa no rosto, daqueles de fazer barulho, de me deixar estampado os cinco dedos marcados na lateral, ardia e latejava e assim acordei.
- Ei, o que aconteceu? Quem esta ai? - Eu disse.
- Sou eu, a vida. Você precisava de uma dessa, na verdade eu venho lhe dado algumas vezes, mas acho que foi muito fraco, porque você logo esqueceu.
- Que? com que direito você me dá um tapa desses, eu estava dormindo. - Retruquei sem entender ainda o que havia acontecido e o por que que aconteceu.
Senti a cama ficar mais pesada ao meu lado, como se alguém sentasse nela, e meu cobertor ser ligeiramente encolhido para o centro da cama.
- Vamos conversar. - Disse a tal da vida.
Sem saber o que estava ali, apenas sentindo sua presença, me sentei na cama e olhei para o lado que senti mais pesado. Balancei a cabeça em um movimento de me livrar dessa alucinação. Mas ainda sentia o peso ao meu lado, e o cobertor se encolher.
- Será que eu vou ter que lhe dar todas as vezes esse tapa para você lembrar de acordar? Não é muito difícil você começar a tomar um rumo na vida e parar de achar que tudo que tem nela, no caso, em mim, é tudo verdade, é tudo lindo, que tudo é como você pensa? Meu deus, tantas vezes falei pra você, cara, toma cuidado, dava uns beliscões de leve, fazia você tropeçar, mas ai você esquecia. Sempre esquece, eu sei, esses humanos tem mania de esquecer as coisas, principalmente aquelas que fazem mal. - A vida falou, e eu permaneci muda a escutar, sem ver sua figura, ainda com o pensamento bagunçado de ter sido acordada daquela forma e estar conversando com algo que eu não conseguia enxergar. - Sei que o que você quer é o melhor para mim, mas você só me ferra na verdade, eu tenho toda hora que fugir, ou me trancar em um quarto, toda hora eu me engano, choro, fico ai nessa cama pensando. Eu to passando, morrendo sabia? E tudo por culpa sua, culpa de você achar que esta fazendo o certo pra mim. Desculpa falar a verdade, mas não esta. Pelo menos algumas vezes você acerta, dá um alívio quando isso acontece, te sinto feliz, e isso é muito legal.
- Eu acordo com um tapa, escuto que eu faço de você uma merda, e além de tudo falo sozinha, porque nem estou te vendo. - Disse ainda não acreditando que isso tudo seja verdade, imaginei que seria um sonho. Mas o tapa ainda ardia.
- Você não me vê a anos, por isso esta tudo uma porcaria, te vejo viver mais para as outras vidas por ai, e a sua você esquece, e eu tenho que controlar meu ciúmes com relação a isso viu, não é fácil. Ai você volta, com mais uma decepção, que é de se imaginar, e eu te acolho sempre, te abro os braços e você vira minha melhor amiga de novo. As vezes eu escuto seus pensamentos assim, sem querer, escuto dizer que quer acabar comigo, ou que eu não sou legal com você, isso magoa, quem não esta sendo legal comigo é você. Já pensou as vezes que eu tentei lhe avisar? Por acaso você se lembra de me escutar?
- Não estaria viva se não te escutasse. - Disse bem baixo, quase a voz não saiu, um nó parecia bloquear as palavras.
- Esta viva pelas raras vezes que me escutou, mas e ai dentro? Ainda esta viva como por fora? Sei que não é totalmente sua culpa, tem vidas por ai que não valem nada, as vezes bipolar, daquelas que você se engana mesmo, não sabe se acredita ou não, tem aquelas que vieram pra te enganar, e outras que fazem de tudo pra roubar você de mim. Infelizmente não existe regras, mas eu sou sua amiga, me escute. O coração anda pequeno e sem esperança que eu sei, então vamos transforma-lo do jeito que ele veio ao mundo. - A cama pareceu mais leve, como se tivesse levantado dela. O cobertor permaneceu amassado como se alguém houvesse sentado nele.
- Obrigada. Sei que te deixo de lado muitas vezes, sei que não te escuto, apenas sinto o sexto sentido falando, mas eu remo contra. As vezes não mereço a sua bondade em me levantar. Espero que doa muito esse tapa que levei, espero que demore para esquecer, assim, eu lembro todos os dias que eu deveria lhe escutar.
- Não agradeça, apenas me dê a mão e me faça sua melhor amiga. Assim nos livramos de acreditar que alguma coisa pode mudar, e começamos a ver que é assim, e nada podemos fazer. Não sou fácil também, sei disso, mas você me conhece o mesmo tempo que eu lhe conheço. E ninguém mais do que eu quer tanto a sua felicidade.
Sorri, e assim senti que estava sozinha novamente em meu quarto, a janela ainda fechada me trazendo a escuridão, mas lá fora o Sol já brilhava, já era hora de despertar. O rosto ainda ardia, os dedos já não estavam marcados, me lembrei que lá fora minha vida caminhava, esperando que eu lhe oferecesse a mão para irmos juntas. Eu não poderia deixa-la sozinha. Era preciso viver apesar de tudo, ela é a minha melhor amiga.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Reflexões de janela.

" Quantas possibilidades existem?
E quantas aquelas nos pertencem?
É como tentar adivinhar o futuro, é como pegar fumaça com as mãos.
Não sou boa em saber quais as possibilidades me pertencem, e quais me levam ao caminho exato.
A noite se foi, e chegou a outra. E mais uma, e mais uma...
É como eu vejo tudo pela janela, nem percebo os mesmos carros atravessarem as mesmas ruas.
Não há como adivinhar o que esta prestes a mudar.
Pensamos mil vezes antes, imaginamos, as vezes concretizamos. E o depois? Esse não tem como pensar, imaginar e concretizar. Esta apenas ai, nas noites que se vão e naquelas que acabam de nascer.
É quando o coração cabe em um vidro de perfume, ele se comprime na espera. É quando nada pode ser mudado, feito diferente porque já foi riscado, percorrido. É quando nos vemos apenas sentados a esperar e esperar aquele tempo, o famoso tempo que de tão injusto percorre sempre nas horas ruins. Ninguém espera o tempo quando se esta feliz, nesses momentos nós queremos a pausa dele, não escutar mais o tic tac do relógio, mas mesmo assim ele vem, inimigo fazendo com que aquele dia pela janela já tenha se tornado noite."